- I –
ZÍNGARAS
Os circos mambembes, os que seguiam sem rumo certo e itinerário definido pelos caminhos do mundo, eram como os vira-latas abandonados farejando restos de feira: iam deixando para trás as cidades grandes, passavam pelas médias até chegarem às pequenas.
E também as pequenas e falidas companhias circenses, nesse mesmo "batido das latas" iam sugando os últimos tostões dos beócios até se esbarrarem nas piores e mais distantes vilas de fim de linha, lá nos confins do Sertão.
E era também assim o que acontecia com a cidade de Minas Novas, fincada lá nas grimpas do Jequitinhonha, a antiga Vila de São Pedro do Fanado que foi elevada à condição de Vila em 02 de outubro de 1730, a partir do Arraial das Lavras Novas de Nossa Senhora do Bonsucesso do Arassuaí, ajuntamento minerador que já existia desde o longínquo ano de 1715, mas que foi oficialmente fundado pelo bandeirante Sebastião Leme do Prado nos idos de 1727.
E também as pequenas e falidas companhias circenses, nesse mesmo "batido das latas" iam sugando os últimos tostões dos beócios até se esbarrarem nas piores e mais distantes vilas de fim de linha, lá nos confins do Sertão.
E era também assim o que acontecia com a cidade de Minas Novas, fincada lá nas grimpas do Jequitinhonha, a antiga Vila de São Pedro do Fanado que foi elevada à condição de Vila em 02 de outubro de 1730, a partir do Arraial das Lavras Novas de Nossa Senhora do Bonsucesso do Arassuaí, ajuntamento minerador que já existia desde o longínquo ano de 1715, mas que foi oficialmente fundado pelo bandeirante Sebastião Leme do Prado nos idos de 1727.
Descrevendo sua terra, dizia o velho Benedicto Nogueira, um dos poucos descendentes da Dona Sinhazinha (talvez o único filho que lhe herdara os dons) que a sua cidade natal era igual ao remanso do Fanado após as primeiras enchentes, em cuja correnteza vinham mais ciscos, folhas mortas e gravetos, muito mais que água com aquela correnteza de imensa sujeira que ficava ali no poço do cisqueiro rodopiando sem sair do lugar e ali ia ficando indefinidamente, quase que para sempre.
Essa cidade era o fim da linha até para os circos mambembes, a exemplo daquele último chegado, o ”Internacional Circo da Gostusura”, uma companhia de pouco mais de uma dezena de esfarrapados, inclusive os mata-cachorros, todos que se apresentavam como artistas debaixo de uma lona mais furada que a própria tábua de pirulitos na qual a filha mais nova do palhaço vendia esse caramelo tradicional, durante o dia, pelas ruas da cidade.
E olhe que aquele circo, pelo jeito de sua “troupe”, parecia ter sido algum dia até que considerável, se se levasse em conta a qualidade do palhaço que era bem engraçado, o João Gouvêa que era um cantor sofrível, o mágico Mizac que enganava inteligentemente bem com seus truques ensaiados, o músico Roberto Braga que trinava com maestria sua clarinete, sem se falar nas vedetes Elza Miranda, Marinalva, Flor de Liz, Dinah e a própria dona Petra, que dentro de suas minúsculas sedas, rendas e paetês, exibiam suas artísticas pelancas, estrias e sinuosidades com a manimolência e o profissionalismo de quem certamente conhecia melhores picadeiros.
O circo da Gostusura chegou e na pequenina cidade foi ficando.
Como o público já se mostrava enfarado, depois de vários meses de espetáculos repetidos em que já se apresentavam monótonos, alguns daqueles artistas abandonaram, gradativamente, o antigo emprego e migraram para novas atividades e ocupações.
O velho palhaço e sua esposa, Dona Petra, afeiçoaram-se de vez à cidade, pois "a água do Fanado fizera-lhes muito bem, naquele efeito de que é famoso: bebeu, não sobe mais de volta às origens, pelo nosso morro da Contagem, aqueles que aqui foram acolhidos pela hospitaleira população.
O velho palhaço e sua esposa, Dona Petra, afeiçoaram-se de vez à cidade, pois "a água do Fanado fizera-lhes muito bem, naquele efeito de que é famoso: bebeu, não sobe mais de volta às origens, pelo nosso morro da Contagem, aqueles que aqui foram acolhidos pela hospitaleira população.
Ao que parece, porém, a alguns integrantes o mesmo efeito não se verificou e aqueles mais profissionais se arribaram, como se houvesse bebido da água do Boncesso e esta, que nem mais existe, naquele córrego que hoje está seco, naquele período já havia perdido essas qualidades mineirais que também eram suas características milagrosas, o que se deu por força da exploração predatória dos gananciosos garimpeiros em busca do ouro, o que ocorria desde a grande estiagem dos anos 30.
Mas o casal mambembe tinha várias filhas, além das vedetes veteranas, todas elas que eram empenhadas no trabalho de “patners” e de trapezistas, no que faziam com arte, primor e competência. Entretanto, na medida em que foram ficando no lugar, logo, logo todas, inclusive a matrona, já estavam enrabichadas com novos amores e senhores, cada uma em seu sítio particular.
O palhaço, acomodando-se à situação e sem vislumbrar outra alternativa, fazia vista grossa a esta circunstância e até achava isto muito bom, pois a sua gente estava se arranjando e, assim de chamego com os principais figurões do lugar, contentava ver uma delas com o prefeito, a outra com o delegado, a mais velha com o padre, a mais nova com o escrivão, a do meio com o sargento e a sobrinha com o sacristão.
Nessas alturas o velho palhaço daGostusura, por força do comodismo e pelo desuso de suas peças circenses, preferira não se incomodar com os boatos que se espalhavam e, por não não mais precisar daquelas quinquilharias e trambolhos, ia se desfazendo das cordas de sustentação, do mastro principal, das cercas, das ferragens e das tábuas da arquibancada, restando-lhe do velho circo apenas a lona que havia restado daquela que um dia teria sido uma imensa tenda. E não lhe restando outro bem, senão aquele, com ele se tornara, também por força das circunstâncias, num bom alfaiate que agora costurava lindos gibões com o surrado pano que um dia foi verde, utensílios que eram muito requisitados pelos sertanejos da região e que lhe eram encomendados pelos vaqueiros e campeiros que lá no acampamento, a este tempo já transformado na sua improvisada oficina, iam ali comprar muito mais interessados em verem as ex-vedetes do que para adquirirem a peça que se vendia mas que acabavam comprando-as a troco dos “olhos da cara”, através da barganha de sua última vaca de leite ou do seu único animal de montaria.
Nessas alturas o velho palhaço daGostusura, por força do comodismo e pelo desuso de suas peças circenses, preferira não se incomodar com os boatos que se espalhavam e, por não não mais precisar daquelas quinquilharias e trambolhos, ia se desfazendo das cordas de sustentação, do mastro principal, das cercas, das ferragens e das tábuas da arquibancada, restando-lhe do velho circo apenas a lona que havia restado daquela que um dia teria sido uma imensa tenda. E não lhe restando outro bem, senão aquele, com ele se tornara, também por força das circunstâncias, num bom alfaiate que agora costurava lindos gibões com o surrado pano que um dia foi verde, utensílios que eram muito requisitados pelos sertanejos da região e que lhe eram encomendados pelos vaqueiros e campeiros que lá no acampamento, a este tempo já transformado na sua improvisada oficina, iam ali comprar muito mais interessados em verem as ex-vedetes do que para adquirirem a peça que se vendia mas que acabavam comprando-as a troco dos “olhos da cara”, através da barganha de sua última vaca de leite ou do seu único animal de montaria.
O ex-palhaço em pouco tempo se tornara bem realizado comerciante: e nesta nova ocupação de negócio recebia dinheiro, mercadorias, semoventesjeep, móveis antigos, arreios, tachos de cobre, alambiques, carro de boi, pilão, mantimentos, sanfona, viola, violão, papagaio, bode, cabra, jumento, cavalo, vaca leiteira, saco de milho, carga de rapadura, tulha de farinha e, quando não havia outros bens para lastrear a catira, até a casa de morada e o terreno da roça passaram a ser aceitos em pagamento, tamanha era a boa aceitação dos artigos ofertados.
O danado, de tão bom empresário que se revelava, que já planejava buscar reforço de mercadoria nova, trazendo-as de Montes Claros, lá aonde tinha deixado a sua mãe, já idosa, as tias e as primas, estas já bem maduras mas que poderiam servir para alguma coisa de útil, mesmo que fosse para os trabalhos domésticos, liberando as demais para a produtiva indústria que atualmente era o seu labor.
A expansão desta atividade, que antes era restrita às rameiras da Rua da Barra l.040, começou a preocupar aos mais sensatos moradores do lugar, principalmente depois da visita pastoral daquele ano, quando o bispo diocesano verificou a incrível baixa que se registrava, cada vez mais, no número das confissões e comunhões.
Observou cioso, aquela autoridade eclesiástica, também o fato de que, nas igrejas, a freqüência maior era somente de mulheres da zona rural e de uma ou outra das moças casadoiras, todas se queixando do surto de infidelidade que, de repentemente, passou acometer-se sobre a população masculina daquela freguesia..
Observou cioso, aquela autoridade eclesiástica, também o fato de que, nas igrejas, a freqüência maior era somente de mulheres da zona rural e de uma ou outra das moças casadoiras, todas se queixando do surto de infidelidade que, de repentemente, passou acometer-se sobre a população masculina daquela freguesia..
E, a respeito deste fato, o rigoroso pastor de almas, vendo que até os seus subordinados estavam envolvidos naquele furdunço, não teve outro recurso: Mandou que se removesse o velho titular da paróquia, junto de seu sacristão e quejandos, para a freguesia mais distante da diocese e ameaçou de excomunhão os fiéis incautos da quela vetusta Freguesia de São Pedro do Fanado, determinando a vinda de um novo padre.
E foi assim que, no dia da chegada do novo vigário, um sacerdote recém ordenado lá na Itália, um moço bravo, bonito e forte como um touro, mas que queria muito mostrar os seus bons serviços sacerdotais e fazer bonito na presença do superior hierárquico, determinação que se revelou no seu enérgico sermão de estreia, pois assim lhe fora recomendado, tendo ele, em sua homilia de novo pároco, feito aquela dura preleção aos presentes – mesmo numa catilinária vazada no mais autêntico do seu português macarrônico – ameaçando aos prevaricadores com as consequências de seus atos, revelando-lhes o que lhes poderia acontecer se não tomassem tento e se não procurassem se redimir, comparecendo piedosamente ao confessionário e aos cultos divinos, religiosamente, a partir daquela data.
Estava, desta forma, instalada uma nova ordem entre os fanadeiros.
O prefeito, atolado até ao pescoço naquela chafurdância, vendo-se ameaçada a sua ssinecura e diante também do perigo que corria frente sua esposa, a qual - diga-se de passagem - era uma santa mulher, uma daquelas carolas mais assíduas, que exercia forte influência nas vetustas madames e nos eleitores locais, que tão logo descobrisse a oficialidade da tramóia, é bem certo – disto sabia ele - que ela não o perdoaria mais nunca e que ele próprio, em razão de suas traquinagens, mais nunca haveria de conseguir eleger-se nem juiz de paz e nem mesmo vereador, pelo que, seja pelo sim ou pelo não, o melhor seria ir agindo o mais rápido possível, no que mandou logo avisar da sua decisão (e não a episcopal) através do serviço de alto-falantes da Câmara, imediatamente convocando delegado, policiais, barnabés, compadres, correligionários e toda plebe ignara e insana para partirem decididos naquela nova cruzada em defesa da moral e dos bons costumes e, assim determinados, rumaram todos em comitiva para a igreja matriz para ali prestarem sua solidariedade cristã, pois aquela era uma situação em que já se chegava à beira do absurdo, não se admitindo aos pais exemplares da circunscrição de São Pedro do Fanado, como cada um deles próprios, que a sua cidade, a mais tradicional e exemplar freguesia de todo o bispado, de repente se encontrasse em vias de ser considerada a versão de uma nova Sodoma ou Gomorra.
O prefeito, atolado até ao pescoço naquela chafurdância, vendo-se ameaçada a sua ssinecura e diante também do perigo que corria frente sua esposa, a qual - diga-se de passagem - era uma santa mulher, uma daquelas carolas mais assíduas, que exercia forte influência nas vetustas madames e nos eleitores locais, que tão logo descobrisse a oficialidade da tramóia, é bem certo – disto sabia ele - que ela não o perdoaria mais nunca e que ele próprio, em razão de suas traquinagens, mais nunca haveria de conseguir eleger-se nem juiz de paz e nem mesmo vereador, pelo que, seja pelo sim ou pelo não, o melhor seria ir agindo o mais rápido possível, no que mandou logo avisar da sua decisão (e não a episcopal) através do serviço de alto-falantes da Câmara, imediatamente convocando delegado, policiais, barnabés, compadres, correligionários e toda plebe ignara e insana para partirem decididos naquela nova cruzada em defesa da moral e dos bons costumes e, assim determinados, rumaram todos em comitiva para a igreja matriz para ali prestarem sua solidariedade cristã, pois aquela era uma situação em que já se chegava à beira do absurdo, não se admitindo aos pais exemplares da circunscrição de São Pedro do Fanado, como cada um deles próprios, que a sua cidade, a mais tradicional e exemplar freguesia de todo o bispado, de repente se encontrasse em vias de ser considerada a versão de uma nova Sodoma ou Gomorra.
Lá na matriz, depois dos discursos acalorados e das diversas propostas apresentadas para uma solução que contemplasse a todos, decidiram que alguma coisa deveria ser feita com urgência mas de forma a atender todas as partes, pois as eleições estavam próximas e um escândalo maior não seria benéfico para ninguém – principalmente por que havia companheiros do partido majoritário do coronel Chibano, inclusive ele, todos envolvidos naquele angu de caroço - gente de boa mas de fraca índole, incauta, de pouca formação e de moral pouco ilibada, mas que tinha mulher e filhas que deveriam ser preservadas daquele vexame - e jeitoso como era o matreiro alcaide - este, agora muito prudente e cioso de seus novos brios, convenceu ao bispo de que deveriam, como bons líderes, criar as condições necessárias para que a troupe do Gostusura (vista sob a ótica do perdão) retomasse o caminho do sucesso empresarial em busca de uma nova e promissora vida circense.
Teriam então, para que esse projeto se viabilizasse, de se realizar na cidade um espetáculo de despedida para aquela gente circense, com o objetivo de angariarem fundos necessários ao soerguimento do circo (ou pelo menos para servir de "lavanderia" para as contas do erário público, para assim encobrir o rombo que deveria surgir no orçamento, de vez que o prefeito não abriria mão de que este fosse um ato grandioso) e tudo muito bem organizado, o que seria como um sinal de grandeza humanitária e uma nova oportunidade à companhia do Gostusura. tudo por obséquio e graça da municipalidade e da igreja, permitindo-lhe uma nova chance que estariam concedendo àquela infeliz gente, pois certamente que eram humanos e portanto sujeitos à tentação do pecado, e que era obrigação deles, como homens de bem e da justiça, oferecer um novo caminho, um novo rumo, no compromisso assumido de que não voltariam a infernizar a vida das famílias por onde viessem a passar, a partir daquele dia.
Como não havia mais a estrutura e os equipamentos necessários à função circense, tais como arquibancada, mastro e lona, o prefeito que era dono do cinema local- e este funcionava no teatro municipal – abriu mão de seu empreendimento, também do ramo de diversões, para ceder ao amigo Gostusura o amplo salão, com palco, cadeiras, iluminação e som, tudo para que fossem retomadas as suas artísticas atividades naquele ambiente improvisado, mas que lhe cairia bem melhor que as antigas instalações do antigo "Circo Internacional".
Para tanto, foi logo requisitando, para a esperada re-estreia, a banda de música do grêmio local e colocou toda a Euterpe Conceição a serviço do velho palhaço. Mandou reformar todo o figurino das vedetes, encomendando às "meninas" de Lucas, boas e prendadas modistas, que não fizessem economias nas compras das bugigangas e balangandans, por conta do erário, providenciando todos os artigos e aviamentos que fossem necessários, nas lojas de Heli, de Dona Celuta e de Zé de Durval onde o estoque de sedas, sianinhas, rendas, veludos, prometis, voales, veludos, tulhes, brocados e gorgorões logo se esgotara.
Para tanto, foi logo requisitando, para a esperada re-estreia, a banda de música do grêmio local e colocou toda a Euterpe Conceição a serviço do velho palhaço. Mandou reformar todo o figurino das vedetes, encomendando às "meninas" de Lucas, boas e prendadas modistas, que não fizessem economias nas compras das bugigangas e balangandans, por conta do erário, providenciando todos os artigos e aviamentos que fossem necessários, nas lojas de Heli, de Dona Celuta e de Zé de Durval onde o estoque de sedas, sianinhas, rendas, veludos, prometis, voales, veludos, tulhes, brocados e gorgorões logo se esgotara.
Grandes foram os preparativos e a data da despedida ficou marcada para o dia 19 de março, justamente o dia de São José, o santo padroeiro da Liga Católica e chefe da Sagrada Família, aquele que, como os homens honestos do lugar, continua firme na condição exemplar de patriarca dos carpinteiros, da família e modelo dos bons maridos e esposos.
No começo dos ensaios apenas o Tio Gabriel, antigo escrivão do tribunal de justiça e titular do Cartório do Crime, tendo escolhido o seu melhor terno de seu rico guarda-roupa, bem cedo já estava ataviado, de suspensório e gravatinha borboleta, e na hora da efeméride foi-se revezando no violino e no saxofone, comparecendo todo catita como voluntário na execução do mambo necessário à apresentação da equilibrista, no arame bambo, semi-esticado sobre a plateia.
Ao primeiro toque, os demais músicos foram logo se achegando e, com muito apreço, formaram uma boa orquestra, reativando a antiga "Fá-Lá-Si-Mi Queres" que há muito não se apresentava. O público, que já sentia saudades dos requebros de Elza Miranda e da sensualidade plástica de Flor de Liz, extasiava-se com a última exibição erótica daquela dupla, enquanto o tio Gabriel, já com a ajuda de Zé Moreira, Militão, Artur Quirino, Álvaro Freire e de João Batista, todos se esmeravam na execução de uma rumba voluptuosa, vendo admirados a manimolência daquelas artistas que sacodiam os lamês e as lantejoulas dentro daqueles reduzidos maiôs, fazendo o supremo esforço de acomodarem-se as gorduras e pelancas e, ao mesmo tempo, de agradarem a seleta presença de tantas autoridades, como a do honestíssimo e recatado prefeito, a do honrado delegado, a do circunspeto coletor e a do exemplar escrivão, além da presença sacrossanta de sua excelência reverendíssima e do digno Padre Sacramento, este vindo especialmente de Santa Cruz da Chapada para acompanhar o bispo, sorvendo como sempre a sua cerveja caracu e a tudo observando, lá de detrás do pano de boca do palco, naquela casa de espetáculos que nos bons tempos da mineração tinha sido um admirável teatro municipal.
Ao primeiro toque, os demais músicos foram logo se achegando e, com muito apreço, formaram uma boa orquestra, reativando a antiga "Fá-Lá-Si-Mi Queres" que há muito não se apresentava. O público, que já sentia saudades dos requebros de Elza Miranda e da sensualidade plástica de Flor de Liz, extasiava-se com a última exibição erótica daquela dupla, enquanto o tio Gabriel, já com a ajuda de Zé Moreira, Militão, Artur Quirino, Álvaro Freire e de João Batista, todos se esmeravam na execução de uma rumba voluptuosa, vendo admirados a manimolência daquelas artistas que sacodiam os lamês e as lantejoulas dentro daqueles reduzidos maiôs, fazendo o supremo esforço de acomodarem-se as gorduras e pelancas e, ao mesmo tempo, de agradarem a seleta presença de tantas autoridades, como a do honestíssimo e recatado prefeito, a do honrado delegado, a do circunspeto coletor e a do exemplar escrivão, além da presença sacrossanta de sua excelência reverendíssima e do digno Padre Sacramento, este vindo especialmente de Santa Cruz da Chapada para acompanhar o bispo, sorvendo como sempre a sua cerveja caracu e a tudo observando, lá de detrás do pano de boca do palco, naquela casa de espetáculos que nos bons tempos da mineração tinha sido um admirável teatro municipal.
Os demais músicos, a maior parte deles que já tinha perdido os instrumentos, antes todos entregues, por barganha, ao velho palhaço pelo preço cobrado pelos ditos bons serviços prestados, tinham naquele dia a oportunidade de resgatá-los, pois afinal, eram eles propriedade do Grêmio Lítero e Musical e se essa tramóia fosse descoberta é bem certo que o honestíssimo prefeito não lhes perdoaria o desvio daqueles bens e, além do mais, tinham que formar aquela necessária orquestra que viabilizaria o espetáculo salvacionista de todos os envolvidos na pendenga.
E todos os músicos, por antecipação chorosos de saudades, mas que neste ato se mostravam até que aliviados com aquela possível saída de tão grave situação, que se ameaçava vexatória, ficaram como enfeitiçados pelo projeto e nunca executaram com tanto primor e tanto entusiasmo, os seus calientes tangos, suas valsas dolentes, vibrantes mazurcas, sambas e marchas, culminando, naquela apoteose, com o hino a Minas Novas, quando todos os artistas, inclusive o palhaço Gostusura - hilário como nunca, ao lado de Dona Petra em seus melhores trajes, apareceram solenemente ao palco, então transformado em picadeiro, todos de mãos dadas, indo aos bastidores e deles voltando, repetidamente, para serem vibrantemente ovacionados pela platéia delirante e de pé, quando não mais se continham na emoção e derramavam as mais copiosas lágrimas de adeus.
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- II -
DEPOIS DE 250 ANOS ...
Minas Novas, até os idos de 1980, era considerada o C. do Mundo, ou seja, o lugar onde o Judas havia esquecido suas deslustradas botas, quando veio esse encardido e tinhoso lá das bandas da Bahia e por ali passou, só de passagem, resolvendo estabelecer-se, definitivamente, um pouco mais adiante, em Caxaprego, que naquele tempo era conhecido, também por P.B. sigla que significa outra coisa mas que para consumo interno quer dizer “Pedra Bonita”, como preferem os bairristas moradores de Turmalina.
As duas cidades, hoje não muito mais desenvolvidas do que d’antes, distam 25 km ., uma da outra, como cão e gato, ligadas, hoje, por uma moderna estrada asfaltada.
Pode até não parecer, devido à maquiagem, mas a antiga Vila de Piedade é anterior à do Fanado, sendo que esta se emancipou lá pelos idos do século 18 e aquela somente em meados do século 20.
Naquela época, em que já era das vacas magras, tudo de bom ficava longe e muito difícil, pois os meios, inclusive os de comunicação, eram todos muito precários, não havendo nem mesmo telefone interurbano, melhoramento este que foi introduzido, no final da década de 1970 na região, graças ao trabalho pioneiro de um grupo de funcionários do Banco do Brasil, da agência de Minas Novas, liderados pelo progressista gerente Francisco Carlos Campos Coelho, natural de Governador Valadares mas que logo depois de chegado na cidade, tornou-se um apaixonado roedor de pequi e um dos mais fanáticos minasnovenses, confirmando as propriedades e o tal efeito, anteriormente citado no conto anterior, contido na água do Fanado.
Com a disposição, o afinco e o trabalho incessante desses funcionários pioneiros, muita coisa de boa passou a acontecer, não só em Minas Novas , mas em toda aquela região do Fanado, onde tudo estava por se fazer, pois era incalculável o tamanho do prejuízo social, um triste passivo decorrente do desprezo, do abandono e do descaso que reinavam naquele orco do mundo, onde eram nulas as presenças do poder público, do estado, dos governos e dos políticos, estes que compareciam na cidade apenas para garimpar votos e para usurparem as rendas municipais.
Era a agência do BB, com seus 60 funcionários – hoje tem só meia dúzia – o principal agente do progresso de Minas Novas, Turmalina, Chapada do Norte, Berilo, Francisco Badaró, além de Leme do Prado, Veredinha, José Gonçalves de Minas e Jenipapo que ainda, nesse tempo, não se haviam emancipado mas que já eram distritos bem desenvolvidos, que naquele estabelecimento bancário passaram a buscar seus créditos, suas orientações de investimentos e o atendimento para desenvolverem suas lavouras, seus rebanhos e suas atividades comerciais.
Portanto, não seria exagero se considerarmos o 1980 como o ano-base da história de toda essa região, pois foi a partir de então, que os milhares de beneficiários do INSS (ex-Funrural) passaram a ser respeitados, com atendimento mais humano e honesto, quando os consumidores passaram a ter mais opção de mercado, com variedade, qualidade e preço justo, da mesma forma que os lavradores começaram a descobrir que tinham direito de acesso ao custeio de suas lavouras e que podiam obter empréstimos para comprar suas vaquinhas e dalí em diante, foram surgindo o melhoramento da frota de veículos, o aparecimento de um ou outro trator agrícola, e com o poder aquisitivo melhorando vieram mais e mais assistência dos profissionais liberais como dentistas e médicos, que eram raríssimos, todos atraídos pelos novos ares que começaram a soprar por essas bandas.
Foi esse, por coincidência, o ano em que haveria de se comemorar os 250 anos do município de Minas Novas e, para festejar a data da chegada da Bandeira de Sebastião Leme do Prado à Vila do Fanado em 02 de outubro de 1.730. Para tanto, nomeou-se uma comissão com o objetivo de organização de ampla programa que incluía a histórica recepção do presidente da república, General João Batista de Oliveira Figueiredo, do governador Francelino Pereira, de demais autoridades e de importantes empresários, o que de fato ocorreu quando se inauguram diversas benfeitorias como a iluminação da Cemig, o Hospital regional do FUNRURAL, o SENAR, o sistema telefônico interurbano da TELEMIG, a sede do CEC (Centro Esportivo Comunitário), a nova e soberba agência do BB, além da instalação dos Postos Avançados de Crédito Rural em mais de 30 localidades do Vale, dentre elas os PAVAN’s de Chapada do Norte e Berilo, subordinadas a Minas Novas.
Foi assim que se convencionou ter ficado para trás, oficialmente, 250 anos de muito sofrimento, durante o qual só ocorreu a exploração predatória de todos os recursos naturais – minerais e vegetais – e poderia até dizer, animais – destes também – porque o principal representante deste reino, o homem, se é que havia dele restado alguns exemplares após este longo período de privações foi pela Graça de Deus que os dotou de um forte instinto de sobrevivência, de resistência e de esperança.
Se hoje o estágio de desenvolvimento dessas localidades ainda deixa muito a desejar, imaginemos o que era a vida dos seus cidadãos, principalmente dos pobres moradores da zona rural, que sempre representaram mais de 70 % da população geral.
Basta dizer que, nesta região, chegou-se a um ponto de miserabilidade tão grave, de mazelas agravadas com o êxodo rural que esvaziou completamente as grotas, que havia lugares – nas cidades e na zona rural - onde restaram apenas os idosos, os doentes e as crianças – todos relegados ao mais grave estágio de abandono de seres humanos jogados à sua própria sorte – ao ponto de a Igreja Católica, através dos Padres José Lávia e Silvano, com o auxílio das diligentes Irmãs Salesianas, ao se integrarem, de corpo e alma à Pastoral da Terra, passarem corajosamente a denunciar, a retratar o escândalo, até mesmo através da famosa Carta de Puebla, da imprensa especializada e de todos os movimentos eclesiais de base, mostrando ao mundo e à sociedade brasileira - para que estas pressionassem a classe política -, de como estava sofrendo um povo morador de um dos estados mais ricos da federação.
E tal situação, escancarada no meio intelectual, virou tema e tese entre os acadêmicos das principais universidades, não só do Brasil, mas dos principais países civilizados, que para cá encaminhavam missionários e ajudas de toda espécie.
Era chegada, pois, a hora da vergonha na cara:
Um dos ícones da Revolução de 1964, cujo regime ditatorial estava no seu declínio, quando era ele, justamente, o principal político da região, representante da dinastia Badaró, que dominara durante todo aquele período de estagnação o pobre Vale do Jequitinhonha, era também um político que até ali já havia galgado cargos legislativos -- como deputado estadual, deputado federal e secretario de estado – o qual, na vigência do governo Figueiredo, além de Senador Biônico, tornara-se Ministro, e que naquela ditosa quadra era o responsável por uma das principais pastas do governo federal, o poderoso Ministério da Indústria e do Comércio.
O Vale do Jequitinhonha era o retrato da incompetência administrativa e da irresponsabilidade política; e quem era o principal culpado por esse quadro dantesco?
A imprensa nacional, certificando-se dessa situação, mostraria essa realidade nos canais que só não tinham alcance justamente nesses tristes e abandonados grotões sem escolas sérias, sem estradas, sem telefone, sem médicos, sem dentistas, sem assistentes sociais, sem agrônomos, sem engenheiros, sem bancos, sem jornais, sem emprego e sem qualquer motivação ou sentido para uma população desmotivada e sem rumos para seguir a vida.
Aquela era, pois, a melhor oportunidade de começar a se fazer alguma coisa a favor do povo do Vale, para ver se acomodavam com o que fosse possível fazer, correr contra o tempo, recorrer-se a algo importante, de monta, para balançar as estruturas da televisão, a ser feito com muito impacto e grande repercussão na mídia, tanto para satisfazer a opinião pública como para calar a boca da IRA MALDITA – para eles da Revolução – mas muito BENDITA para nós democratas e brasileiros de verdade, que agora tínhamos a voz forte e o trabalho incessante daqueles verdadeiros apóstolos italianos que se entregaram ao serviço em prol de Minas Novas e de toda região.
Aproximava-se o grande dia:
Máquinas e mais máquinas, como nunca vistas antes, alisavam as estradas. O aeroporto foi devidamente pavimentado. Os prédios públicos foram todos reformados. Os monumentos foram restaurados e receberam holofotes potentes.
Instalaram-se, ao toque das caixas, novas escolas primárias, estendendo as suas classes até a oitava série além do quarto ano que até então era o período máximo para algumas, tudo para poderem mostrar, naquele dia sagrado e festivo, o quanto havia trabalhado aquele grande filho da antiga urbe, nesses últimos dias e minutos de dois séculos e meio de eterno esquecimento e improdutividade.
Já no dia primeiro de outubro a velha cidade foi tomada pelas polícias do Exército, Federal, Civil e Militar. Pelas ruas desfilavam oficiais das três forças, homens do Corpo de Bombeiros e agentes de segurança revistando os bolsos e alforges de todos os transeuntes e vasculhando sobrados, igrejas, casas, barracos e carros procurando possíveis subversivos que estivessem preparando alguma ofensiva contra o nobre chefe de Estado que estava sendo aguardado.
Todos os canais de rádio e televisão já estavam a postos, assim como as câmaras de centenas de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas, naquela parafernália digna de superprodução cinematográfica.
As bandas marciais e também as “furiosas” de toda a região faziam suas evoluções e apresentações pela cidade.
De vez em quando, para o encantamento de todos, despencava lá de cima um bando de pára-quedistas, sob o espanto da população que jamais imaginara espetáculo igual.
Bandeiras de todas as cores tremulavam pelas janelas e sacadas e a criançada, com seus uniformes azuis, enchiam de vida e de esperança as tortuosas e íngremes ladeiras da quinta mais antiga cidade de Minas Gerais.
Os sinos das igrejas centenárias nunca estiveram tão alegres e úteis como durante todo aquele festejo, com seus piques, repiques e redobrados que eram suplantados somente pelo troar de canhões, das ronqueiras e de rojões, acesos lá dos Morros do Andaime, do Caçador e da Contagem.
A velha cidade, de repente, tornava-se não só a momentânea capital do Estado, conforme anunciado, mas no dia de seu aniversário seria a própria Capital Federal, nem que fosse por algumas horas e para isto já chegavam aviões, mais aviões, trazendo todo o ministério, para o despacho com o Presidente da República a ser instalado por alguma horas no velho Sobradão.
A ordem da Casa Civil era não regatear, pois a data deveria ser inesquecível.
Para o banquete servido no almoço, nos lugares especiais reservados no segundo andar do novo prédio do Banco do Brasil, um imenso salão no mais puro estilo colonial, o Royal Salut e o legítimo champanhe Chandon correram soltos, durante toda a tarde, com os mais de 500 convivas espalhados por aquele imenso prédio, todos sendo soberbamente atendidos pelo sofisticadíssimo bufêt carioca do Hotel Glória, com mäitres internacionais e os mais elegantes garçons, todos a caráter, trazidos especialmente em helicópteros oficiais.
No céu, não paravam de sobrevoar aeronaves de todo tipo e tamanhos.
Pela manhã do dia 02 de outubro, todo o espaço aéreo foi fechado para que o imenso “Douglas”, triunfante, trazendo o General Presidente e seu fiel Ministro, chegasse naquele campinho, de repente esticado com pista de 1.800 metros, no meio dos eucaliptos da Acesita, para, a partir dali seguirem os dois, com suas respectivas e muito honradas e distintas damas, somente eles quatro, no helicóptero presidencial, poderem apear no verdejante gramado do “estádio municipal do Pequisão", onde uma multidão de 1000 cavaleiros lhes aguardavam, perfilados e garbosos, para a o início da imensa cavalgada pela principal avenida da cidade, que para o ato, teve que perder sua antiga e bonita arborização que impediria a melhor visualização do aparato das tropas em desfile.
Ao chegarem à Praça da Prefeitura, o presidente general, na frente da cavalaria, seguido dos ajudantes de ordem, dos ministros civis e militares e do governador de Minas Gerais, todos cavalgando machos especiais vindo de um haras de Nanuque, foram recepcionados por um publico multiplicado por 10 vezes o número de habitantes, vindos de todo o vale em ônibus especiais fretados pelas prefeituras, 70 delas dos municípios que, desde o tempo da antiga vila, já teriam pertencido ao território de Minas Novas, cidade esta que foi escolhida, nos idos de 1800, para sediar a administração da criada e não instalada Província do Jequitinhonha.
Foi, sem duvida, a maior festa, de todos os tempos, em todo aquele sertão do nordeste mineiro.
E, na hora da troca de presentes destinados ao presidente General foi-lhe apresentado, pelo Ministro Badaró, uma réplica perfeita, toda confeccionada no mais puro e maciço ouro do Bonsucesso, um espadim que pertencera ao coronel José Bento, finado avô do político local, uma milionária peça que foi fundida pelos netos do ourives Mestre Roxo, à custa dos minasnovenses tão gratos e felizes com seu grande benfeitor. E como bem disse o orador oficial da cerimônia, de que cada um deveria dar o melhor de si para o benefício e a grandeza de sua terra e de sua gente, naquele momento solene, o prefeito de Francisco Badaró - o popular Zezé de Basílio - escalado como representante dos colegas presentes, tirou de sua montaria um cabresto em couro e prato, ricamente confeccionado por ele mesmo, quando dirigiu-se, todo espalhafatoso, em direção do presidente, como se fosse colocar aquele inusitado mimo no pescoço do General, quando, de abrupto, para surpresa de todos, foi ele imediatamente arremessado ao chão pelo forte esquema da segurança presidencial que se precipitou sobre o humilde e bem intencionado prefeito, quase que o esmagando sob os coturnos e sufocando-o no meio do corre-corre, dos estampidos de rojões, como se uma outra revolução estivesse em início, tamanho era o foguetório e ruidosos e vibrantes eram os dobrados executados por mais de 20 bandas juntas, todas empolgadas, naquele tumulto sem fim que encobria a "tentativa" - muito bem reprimida - de causar insulto à "sua Excelência", conforme imaginara os agentes da eficiente segurança nacional.
Muito tempo depois se ficou sabendo que o ministro Leitão de Abreu - que era o chefe da Casa Civil mas que não fora convidado para a alfarromba oficial - sentido-se desprestigiado, mandou a conta de toda a despesa para o Palácio da Liberdade.
O governador de Minas, que nem mineiro era, mas também participara do desperdício tão-somente “para constar” (como dizia o mestre Cleomar Machado), assim mesmo de muita má-vontade, pois ainda se ressentia do tratamento, de que fora vítima, por parte do então deputado estadual Murilo Badaró, quando de suas andanças em campanha pelo Vale, como candidato a deputado federal quando, de passagem por Minas Novas, aqui foi impedido de fazer seu comício que seria realizado em frente do sobrado de Benedito Leite, porque o futuro senador-biônico tinha mandado apagar as luzes da cidade justo no momento em que ele, Francelino Pereira, dava inicio a seu discurso, tendo ele, por este justo motivo, por esta sua vez agora como governador-biônico, mandado aquele prejuízo da festa dos 250 anos de Minas Nvas para ser paga pela CODEVALE, uma autarquia criada pelo próprio Badaró, já promovido a senador de proveta, no tempo de sua meteórica passagem como secretário no pífio governo de Israel Pinheiro e que, segundo as más línguas, deveria ser chamado de “Nem acode nem Vale”, (ambos: criatura e criador) dada suas inoperâncias e que, com aquele rombo inesperado, teve comprometido todo o orçamento da autarquia, tanto o daquele exercício como todos os demais a que teria direito nos próximos 50 anos, inviavilizando em pouco tempo - por carência de verbas - a sua existência no cenário administrativo do Estado.
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- III -
SUCUPIRA
A Rede Globo de Televisão, já no outro dia, depois da farromba de 02 de outubro de 1980, exibia o episódio de Odorico Paraguaçu também recepcionando o presidente em sua Sucupira , cuja produção teve todo o “script” copiado, nos mínimos detalhes, daquela encenação tão bem preparada que o Badaró montou para mostrar a sua grande obra em benefício do Vale.
Dias Gomes, porém, para mostrar competência, talvez tivesse que fazer um longo estágio lá na antiga Vila do Fanado, para poder - pelo menos - na criação de seus roteiros e novelas, chegar perto da criatividade dos artistas daquela inusitada Vila do Fanado das Minas Novas.
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