A FESTA
Zezinho de Edgard, Zé Pequeno (esposo de minha tia Menininha) e Waldemar César (meu padrinho de batismo e uma das pessoas mais espetaculares com as quais eu já convivi), além de Dona Alaíde Fernandes, ao lado da grande mestra Maria Geralda (mãe de Dr. Geraldo Coelho). Atrás do tio Zé Pequeno (carregando o pesado cofre) segue o "general" João de Deus conduzindo o pavilhão da Guarda Imperial.
A FESTA DO ROSÁRIO
Minha festa do Rosário
começa com o leilão,
tem alegre barraquinha
doce de leite e quentão,
Rolete de cana, milho verde,
Frango-assado e leitão
João de Deus apregoando
as prendas com vozeirão.
O dobrado da Banda
Euterpe Conceição,
A sombrinha de Dalila.
E o baixo de Militão.
E o baixo de Militão.
O trombone de Moreira
e o tiro do foguetão.
Biela, bem requebrando,
no meio da multidão.
Baíta preparando a goma
fazendo rosca e o pão
Farofa abrindo a lona
Para secar milho e feijão.
Varistim repica o sino
De longe vem o povão
caia a parede Justino
Passa ovaiade no chão.
Mariana, mate o frango
vai preparar empadão
Leda, engome a saia
para dançar-se um baião.
Baile de Chico Louro,
no pandeiro Mozar,
João da Rocha na sanfona
Zé de Chico no ganzá.
Zé Preto na modinha
Vicentinho na cabaça
Salia faz a rodinha
Pascoal distribui a cachaça
Socorro tirando verso
Canta com afinação,
com Berola faz sucesso
Rodopiando no salão.
Ordália buscando água,
Enchendo potes e talha
Maria Martelo barrendo
e acendendo a fornalha
para que o leite não coalha.
Modesto buscando lenha
pro biscoito de garrancho
Tomara que ele não venha
com grossas toras e gancho.
Madeira grossa pra fogueira
já encomendou seu Miguel
que cuida do boi, da bandeira,
do tambor, do mastro e fogaréu.
Evaristo com a brocha caiando,
Sonhando com sua Dita,
E a sala vai clareando
e se enfeitando de fita.
O fogo na aroeira
e a zulmira crepita,
espalha sua cobreira
que cara e braços irrita
E minha roupa brejeira,
A minha camisa de chita,
Minha bota chiadeira
Perdem a festa bonita.
Vicente Faria, João de Deus, Nilda (minha esposa) , Durval Coelho (meu avô paterno) , Lalau (eu) e Edwirges Araujo.
O REINADO
Nesta foto vê-se parte do Cortejo de Busca do Cofre da Irmandade do Rosário, tendo à frente João Camargos (caixa de assovio), Mestre Mundinho (pífaro) e Coeizinho (caixa de resposta). Na ala, à direita, o saudoso Dú de Agenor com um de seus filhos ao colo. Logo atrás, as brincantes do Congado de Santa Ifigênia, Santa Rita e São Benedito do Capivari, Gravatá, Macuco, Mata-Dois e Bandeira Grande.
REINADO DA FESTA
Desce morro, sobe morro,
Lá vem o lindo cortejo
Na frente o corta-vento
O estandarte e o pontão
O rei-novo e a rainha
Dentro de seu cordão
O padre e seu coroinha,
Os anjos na procissão
.
João Lelé com seu fardão,
Mundinho com o flautim
Debaixo do toco de braço
Tem o tição o Macianim,
Que de espaço em espaço,
Bota fogo no estopim
E o foguete de vara
Agora vai varando o céu
E na torre toda bem clara
Toca o sino Beleléu.
É quase hora do almoço
A mesa de doce arranjada
Ouve-se logo um alvoroço
A hora do frege é gritada
Vicente Faria, ainda moço,
Jovem rico, muito peralta,
Por farra antecipa o troço
Diferente da festa armada
Antes da hora, "olha o doce!"
E que a multidão toda avança,
Mas por troco leva um chute
de Zé Pequeno na pança
E o sururu se espalha
Bem no largo do Amparo,
E como o fogo de palha
O rebuliço, o embaraço.
Logo chega a polícia
Que leva o espertalhão,
Que não esperou a delícia
De participar da fonção.
Na época eu era menino:
Lembro-me como assustei,
Pois foi do tio Zeferino,
As ordens que dele escutei
De que prendessem sem dó
O tal de Vicente traquino
Que dormisse no xilindró
Nesta foto, aqui em P & B, aparece, também, o saudoso PASCOAL SATURNINO. Quanto à minha querida madrinha Edwirges, era ela esposa de José de Araújo (meu tio avô) e portanto cunhada do Dr. Zeferino Mota, meu tio-avô que era delegado geral de polícia em Belo Horizonte, mas que nunca perdia a Festa do Rosário de Minas Novas, onde se reunia com sua turma para suas mais espetaculares "aprontações"..





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