AO MESTRE DO PIPIRIPAU
(Em Belo Horizonte, 19-12-1999, na Praça da Liberdade, quando da inauguração da iluminação especial para as comemorações natalinas)
Canarinho, Canarinho
Fuja, bem rápido, fuja
Não volte a seu ninho,
Lá te espera uma coruja
Voe alto, saia da cidade
Vá pra terra de Passarinho,
Já que a Praça da Liberdade
Transformou-se burburinho.
Esconda-se no Pipiripau
Procure lá o Raimundo
Se o mundo aqui é tão mal
La o tempo é mais jucundo
Peça-lhe que o acolha,
Aquele mestre fecundo
Pois lá a paz é perenal
Perto do mestre do mundo
Que todo dia ali ele nasce
Dando a todos o testemunho
Que mesmo dum velho punho
Renova-se sempre seu Natal.
Fuja, rápido, Canarinho,
Da claridade da Praça,
Evite o mocho daninho
Antes que o mal lhe faça.
Vá, que Raimundo o proteja,
La no meio quase rural
Pois lá, tudo é uma beleza
Que aqui nunca será igual.
Na praça, fique só a Palmeira.
Esquecida, uma triste vestal,
Até chegar sua hora derradeira
Vê-se, já, na plumagem outonal.
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