CARTA DIRIGIDA AO EXCELENTÍSSIMO
SENHOR GOVERNADOR DO ESTADO DE
MINAS GERAIS, EM 02-10-2005
Senhor Governador,
Dando-nos a honra de sua visita, seja bem vindo ao Sobradão, neste dia em que a antiga Vila do Fanado está completando seus 275 anos!
Que seja esta uma oportunidade para o anúncio de algo concreto e grandioso para nosso povo, pois todos nós já estamos cansados e desiludidos de tanto esperar pelos milagres anunciados pelo ex-senador biônico.
Não pode ser justo que o povo continue sacrificado, em sua boa-fé, até mesmo para pagar a conta que a CEMIG vai cobrar por uma iluminação pública focalizada no destaque de uma obra tão antiga e que há séculos tem sido inútil.
Esperamos que Vossa Excelência tenha aqui, além da boa acolhida, um bom sucesso em sua missão de anunciar as boas novas de nosso progresso e que volte, muitas outras vezes, a esta antiga Vila do Fanado, não para participar de encenações teatrais e pomposas, mas para trazer esperanças e a energia que sua juventude a todos inspira.
Precisamos de coisas novas, de inaugurar boas realizações em benefício de nossa gente, de nosso progresso e do desenvolvimento para toda nossa região.
Todas as portas de nossas casas permanecerão sempre abertas para recebê-lo, com todo nosso carinho e hospitalidade.
Afinal, todos os caminhos ziguezagueantes que chegam a nossa distante e humilde terra, durante longos anos foram percorridos pelas tropas que daqui levaram toneladas de ouro e pedrarias para cimentar a grandeza das Alterosas, para pavimentar a grande estrada do desenvolvimento mineiro que jamais chegará a ser uma Estrada Real se a clarividência e o bom senso de nossas lideranças não reconhecerem em Minas Novas a sua origem e para nossa terra, até agora esquecida, não se redirecionar o seu destino como lhe assegura o peso da verdade histórica e lhe atesta, nesta viagem, o próprio testemunho pessoal de sua oportuna visita.
Saudações respeitosas,
Povo de Minas Novas
Coisas de coronel:
"Marcha, soldado
Cabeça de papel
Se não marchar direito
Vai preso pro quartel! "
(Rataplan ... Rataplan ...
Rataplan ... plampan .. plan ... plam!)
Agora passa a tranqueira
Me dê cá o meu chapéu
Que vergonha, que besteira,
Isso é coisa de tabaréu:
Marchar é parada burra
Uma tremenda imposição
De quem serviu à ditadura
Da mais nula revolução
O tempo hoje é mudado
Acabou-se a época servil.
Marchar-se sem ser soldado
E em pleno regime civil?
É coisa de sacripanta
É imposição muito vil
A todos isto espanta,
Onde é que já se viu?
O Palco das ilusões:
No aniversário da cidade
Com extensa programação
De nenhuma criatividade
Sem qualquer inauguração
A não ser a claridade
Das luzes do Sobradão
Um prédio que tem a idade
Do fantasma Zé Bentão
O Coronel da Maldade
Morubixaba da Maldição
Que vampirou toda cidade
Causando-lhe estagnação.
É mesmo uma insanidade
Até mesmo u'aberração
Símbolo do atraso da cidade
Um vazio e soturno desvão.
Retrato do Paço Municipal de Minas Novas na época de sua construção, vendo-se, bem ao fundo, a capela de Nosso Senhor do Bonfim que, de forma criminosa, da mesma forma que o foram a grandiosa Matriz de São Pedro, a Igreja de Santana, o Teatro, a Casa do Miolo, e o antigo Mercado Mourisco, todos demolidos pela incúria de um chefete local, cuja família vem há séculos se locupletando e zombando da soberania de nosso município e da dignidade de nossa gente
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