“AGÔ AJU XIRÊ “
(Licença para olhar a festa)
Quando o ouro ainda era farto no leito do Bonsucesso, nas grupiaras e nos carrascais de nossos morros, os negros tinham que solicitar licença de seus senhores para, de longe, olharem a festa.
(Apenas olhar!)
E os negros olhavam... e, através do banzu se sentiam saudosos daqueles seus dias ditosos, lá na África, onde eram livres, eram senhores de suas vidas e onde também alguns eram reis, príncipes e princesas.
O tempo voou e o ouro foi minguando e chegou-se à era atual em que os senhores já não precisaam tanto do trabalho deles, como escravos, e há muito que os mandaram plantar batatas e colher coquinhos nas cercanias do Fanado, hoje poluidas pelo eucalipto.
Abandonados e entregues a tristes destinos os cativos e os forros sempre buscaram em Nossa Senhora do Rosário a proteção e o refúgio, introduzindo no seu culto o sincretismo que trouxeram de suas nações.
Povos vindos das bandas de Moçambique e da Guiné, aqui os cabindas, os ingomas, os nagôs, os congos e os bantos se fundiram numa nova nação contribuindo decisivamente para a grandeza de nosso município e de nosso querido Brasil e que agora, mesmo que sofredores, são independentes e livres para continuarem emprestando sua graça, sua fortaleza e sua alegria que resultaram no surgimento da verdadeira raça e sintetizam a alma do povo brasileiro.
Os negros de antigamente eram obrigados a pedir licença, mesmo que fosse apenas para assistir à festa!
Antigamente... Pois nos dias atuais não se faz mais necessária a concessão de qualquer licença: Basta que se garanta ao povo o direito, não só o de olhar a festa mas, em pé de igualdade, o direito também de olhar a sua propria vida e felicidade, para participar dela livremente e viver desta grande festa!“
"AGÔ AJU XIRÊ” Povo de Ingoma!“
"Agô aju xirê” Gloriosa e Excelsa Virgem do Rosário, Mãe Celeste dos Homens Pretos de Minas Novas e de todo esse povo que a venera e a quem recorre como intercessora, medianeira e protetora junto de Deus, a toda a hora!
"Agô aju xirê” maravilhosa e centenária Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, refúgio espiritual de Miguel Mendes, Joaquim Camargos, Zé de Durval, Corinto Fidélis, Waldemar Santos, Elisa Mendes, Rosário Sena, Deni de Sinhá, Maria Martins e Joaquim Bocas!“
"Agô aju Xirê”, Rei-Velho Domingos Teodolindo Mota e Rainha Velha Maria Angélica e suas respectivas famílias.“
"Agô aju xirê” Rei-Novo Geraldo Jayme Alecrim e Rainha-Nova Dona Stael que é filha do Grande Mestre Luiz Gonzaga Leite, o nosso Patriarca de Minas Novas."
“Agô aju xirê” Congado de São Benedito e Santa Efigênia do Macuco, Bandeirinha, Mata-Dois e Capivari!“
"Agô aju Xirê” Marujada de Santo Antônio de Bemposta – esta batalhadora e insuperável Banda de Taquara que tanto nos faz lembrar da saudosa Cristina de João Calu!“
"Agô aju xirê” Guarda de Honra do General João de Deus e do Capitão Chico Louro, pai do Capitão Pascoal!“
"Agô aju xirê “ Tamborzeiros e Pífaros dos saudosos Capitão Zé de Iaiá e do Capitão Mundinho avô do guarda Zezão colega do guarda João Camargos que é filho do finado lanceiro João Pequi!“
"Agô aju xirê” invejável Filarmônica de Virgem da Lapa! (que nos inunda de saudades da Euterpe Conceição dos Mestres João Lídio, João Benedito, Gabriel Borges, João Batista, Rodolfo Gomes, Artur Quirino, Zé Moreira, Militão e do inesquecível Gentil Fernandes!)“
"Agô aju Xirê”, Coral da Imperial Irmandade, exemplo deixado por Fabricio Freire, Domingos Mota, Mestre Roxo, Sinhá de Neco, Alaide Fernandes, Rodolfo Gomes, Margarida Alacoque e Jurandir César, este filho do grande Agenor.“
"Agô aju xirê”, Dona Maria Saturnino, Bedel da Irmandade, filha de Evaristo do Sininho!“
"Agô aju xirê”, nossos queridos irmãos do Terno de Catopês de Nossa Senhora do Rosário, lá da hospitaleira e acolhedora Bocaiúva, orgulho do Vale do Jequitinhonha, terra natal do grande José Maria de Alkmim, de Pedro Aleixo, de Patrus Ananias e cidade onde se realizará, este ano, o Vigésimo FESTIVALE!“
"Agô aju xirê”, nossos queridos Marujos do impecável Terno de Moçambique da longínqua mas tão aprazível e acolhedora cidade de Dores do Indaiá!“
"Agô aju xirê“, nossos queridos irmãos, disciplinados e saudáveis meninos do Grupo de Capoeira Unidos do Rosário, exemplo que é para toda a nossa juventude!'
Desta vez quem pede licença é o povo sofrido e abandonado que tem sede de justiça, tem sede de amor, tem sede de fraternidade e, acima de tudo, tem sede de carinho, de afeto e de consideração.
Todos nós queremos e precisamos, não só de olhar a festa, mas dela participarmos de forma efetiva, definitiva e justa.
Precisamos participar desta grande festa que é a VIDA: Vida cristã! Vida digna! Vida de união! Vida sem violência! Vida sem exclusão!
Pedimos licença para assistirmos a união do povo minasnovense que no anunciar deste novo milênio tem todo o direito de ser feliz em sua própria terra, povo que tem direito de trabalho, de assistência médico-hospitalar, de acesso à educação, à cultura e ao lazer e de mais respeito à sua cidadania.
Não podemos admitir jamais no meio de nosso povo a exclusão, a discriminação de qualquer natureza, seja ideológica, racial ou religiosa.
Não podemos nos calarmos diante de injustiças, do autoritarismo e do patrulhamento por parte daqueles que detêm o poder em nosso município.
Preparemos nossos corações e mentes para um novo tempo que haverá de ser abençoado sempre pelo milagroso Rosário de Maria.
O nosso Rei Geraldo Jaime Ferreira Alecrim, em nome de Nossa Senhora, convoca-nos a todos, para um reinado em busca da paz e da felicidade do Povo de Ingoma desta grande NAÇÃO FANADEIRA cujos limites se estendem pelos canaviais, fábricas e repartições públicas deste Brasil afora por onde palpitam de amor a Jesus e Maria, milhares de corações minasnovenses!
VIVA, pois, NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO, MÃE DOS HOMENS PRETOS, DE TODOS NÓS AQUI DE MINAS NOVAS E DOS QUE VIVEM EM TODOS OS RINCÕES DE NOSSO BRASIL!
Nosso AXÉ a Dom José “Zumbi” Maria Pires!
Nosso Axé ao irmão dileto Padre Júlio, que é neto de Mãe’Ana Sabino!
Axé e saudades do Padre Emiliano!
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