O BODE DA MAÇONARIA –
Não se trata de lenda, mas de um dado histórico que virou senha na ordem maçônica.
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Com a transferência do “Dr. Magalhães”, levando para o Mucuri o seu estabelecimento comercial, sua banca de advogado e sua loja maçônica, iniciou-se uma verdadeira corrida que culminou, pouco tempo depois, com o completo esvaziamento da cidade de Minas Novas e o conseqüente “inchaço” do distrito de Filadélfia, para onde se mudaram, também, os principais comerciantes, fazendeiros, artesãos, oficiais e profissionais liberais.
Segundo a crônica popular, a antiga Vila do Fanado ficou como uma cidade fantasma onde perambulavam os mendigos e os loucos que ficaram ali abandonados, além de muitos dos animais que se negaram de acompanhar os antigos proprietários, rumo à “terra prometida” de Todos os Santos e do Mucuri.
Dentre aqueles animais insubmissos, ficou de “arribada” um curioso bodogô, que por muitos anos foi mascote dos maçons, como era de costume haver um, daquela espécie, para os ritos da Fraternidade, o qual não se deixou levar, de forma alguma, para o novo endereço e tendo ficado ele, solto pelas cercanias do Fanado onde passou a imperar como requisitado reprodutor.
Passando-se o tempo, o velho bode já não contava com o vigor necessário para atender à imensa população caprina, que de forma mais intensa exigia-lhe empenho e lhe apertava o assédio.
Vendo-se assim acuado, certo dia de lua favorável, diante de uma enorme fila de fêmeas que aguardavam sua vez, ele se apavorou e, procurando fugir daquele aperto, subiu no telhado da Fazenda do Mirante e, dali alcançou a torre da igreja, tendo sempre no seu encalço a multidão de cabras no cio, não lhe sobrando outra alternativa senão a de se precipitar sobre os lajedos do Córrego Manoel Luiz, onde teve morte trágica.
Daí a fama, ainda hoje, do histórico “Bode de Minas Novas” que preferiu se escafeder do que dar com a lingua nos dentes, confirmando o velho dito popular que afirma que "o bom cabrito não berra, mesmo já idoso e tido como caduco".
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(Dentre as minhas fontes fidedignas tenho as figuras saudosas de Rubens Leite, Olympia Araújo, João Elisiário, João Araújo, Dagmar Costa, Aristides Cristianismo, Juca Trigo, Monsenhor Otaviano, Zé Caiafa, Tereza Moizés, Carlos Figueiredo, Samuel Scofield, Jader Werner, Djalme Dupim, Dalmo Quadros, José Rodrigues, Manoel Magalhães, Lilia Mideldorff, Romeuzinho Gazzineli, Silvio Ganem, Nilo Panjiru, Alexandre Mattar, Pedro Abrantes, Victor Nery e outros antigos moradores da cidade de Teófilo Otoni, com os quais tive a ventura de manter contatos, alguns ainda no meu tempo de criança.)
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