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DURVAL FERREIRA COELHO
Também o meu avô paterno, Durval Coelho, foi guarda-fios e em razão do hábito, tendo ele se aposentado após 35 anos de serviço público, ininterruptos, sem folgas ou férias, mas gozando de boa saúde e em idade produtiva que lhe permitiam continuar no velho afã como autônomo, não parou de viajar, e seguiu naquilo que mais gostava de fazer, que era o de acompanhar sua tropa, usando as mesmas trilhas da rede telegráfica, e não abandonando, por toda a sua vida útil, os contatos que sempre manteve nas Vilas de Chapada, Tocoiós, Sucuriú, Machado, Schonoor e nos diversos outros trechos que iam até a cidade de Araçuai.
Ainda hoje, são inúmeros os casos e as mais caras lembranças, de suas passagens que se transformavam em verdadeiras festas, dada ‘a sua alegria e ao seu espírito jovial e empreendedor, seu jeito cativante, com o qual servia a quem dele se recorresse.
Na cidade de Araçuai ficava o famoso Colégio Nazareth, escola comandada pelas rigorosas irmãs Franciscanas, onde o ensino, da melhor qualidade, recomendava às famílias que para lá enviassem suas filhas destinadas ao magistério.
Assim, pelas tropas de meu avô Durval, viajara grande parte das normalistas que cuidaram das muitas gerações, de boa parte do Vale do Jequitinhonha, sendo comum, ainda hoje, que muitas delas narrem como se tornavam agradáveis e seguras aquelas longas viagens, que meu avô e seu grupo transformavam em venturosos passeios, com eventos programados, em cada parada, onde não faltavam foguetes e muitas festas, nas recepções que compensavam a saudade e os naturais temores que iam ficando para trás.
Tendo ficado viúvo, meu avô assim permaneceu, durante muitos anos, mas em todos os locais conhecidos, onde tinha muitas pretendentes, tinha ele sempre uma namorada apaixonada a esperá-lo.
Consta, também, que era ele o tropeiro preferido por certa dama da alta sociedade local, que sempre o convocava para as viagens à cidade de Teófilo Otoni, aonde, ´para lá chegar, seguia-se a cavalo até à Estação Férrea da Bahia-Minas, na Vila de Schnnoor, onde ele, depois que a referida dama seguia pelo trem-de-ferro, ele permanecia à espera dela, até o dia de regresso, novamente em lombo de animal, para a cidade de Minas Novas, em cujas oportunidades, segundo as más línguas, teria ocorrido algum "affair" entre eles, resultando daí, imprevistos acidentes de percurso que hoje ainda continuam como polêmicos e controversos.
SÍTIO DA BANDEIRA GRANDE
Na metade da distância, entre a cidade de Minas Novas e a Vila da Chapada, meu avô adquiriu um terreno rural, denominado de Bandeira Grande, e ali construiu casas, currais, cercas e outras benfeitorias necessárias ao cultivo de roças, à criação de animais e à manutenção da tropa.
Fazia-se, na aconchegante Bandeira Grande, a primeira parada do seu percurso. E a jornada diária normal, naqueles bons tempos de tropa, era, em média, de três léguas, o que indicava que a Vila de Chapada era o pouso noturno, aonde deveriam chegar para o pernoite na casa de seu compadre Julião, também antigo guarda-fios.
Na ida, em direção a Araçuai, o sítio da Bandeira Grande era ponto de almoço, e na vinda, era o pouso da janta, dos que se antecipavam à chegada na cidade, para logo mais, depois de vencidos exatos nove quilômetros, ou légua e meia, a maior parte dos animais cargueiros já ficava retida no pasto, para serem tratados, alimentados e ferrados, os seus arreios receberem manutenção e os empregados dedicarem-se ao preparo das tralhas e das matutagens que seriam necessárias para a nova viagem a ser retomada na próxima semana. Dali até à cidade, onde não haveria muito trrabalho naquele percurso, seguiam apenas as montarias e os alegres viajantes.
Depois de Chapada, em etapas iguais e sempre de légua e meia, ou 18 kms., chegava-se a Tocoiós, e depois à Vila de Sucuriu, onde os recebia o outro seu compadre, José Simões e sua agradável família, hospedando-os numa casa ampla e muito acolhedora.
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