VII
MINHA CRENÇA
Meu coração, como já visto, é imenso: mas é fraco e, embora de bom tamanho, é limitado...
Já a minha cabeça, que não é tão grande, é poderosa mas abriga uma inteligência ilimitada que se esbarra, quase sempre, em dificuldades também imensas, mas que são superáveis na medida do meu esforço em tornar-me cada vez melhor e merecedor da graça que sempre encontro na alegria e na felicidade que vejo escondidas no meio das flores e dos espinhos, na vigilância não agressiva das serpentes, nos lírios efêmeros que brotam dos barrancos e no medo provocado pelos lobos-guarás que se alimentam dos frutos despencados dos arbustos, de que se alimentam, sem ter o trabalho de os plantar ou de os cultivar.
Vejo, ao lado das flores, os espinhos que também crescem: vejo-os e os ignoro, embora sabendo que, a qualquer descuido meu, eles podem ferir-me. Mas não tenho medo deles, pois são eles estáticos enquanto que os meus movimentos, desviando-se de suas pontas agudas, buscam as flores, assim como as abelhas e os colibris. que jamais se deixam ofender pelos espinhos.
Tenho consciência de que a razão tem sua raiz fincada no meu fraco coração, muito embora sentir que essa pouca capacidade se agiganta e se potencializa, ao agregar-se à corrente de fé e de amor que vêm, gratuitamente, por parte de Deus.
E assim, trilhando pelas sendas do bem, sempre em direção da verdade, vou contornando essas dificuldades existenciais e vou buscando a justiça no meio de tudo e de todos, entre as dificuldades que ignoro, sempre consciente de que se elas existem, se são elas perigosas, o melhor é considerar a probalbilidade de que nada podem contra mim, garantindo-me o que sou pelo poder que emana do meu Criador.
Guardo como tesouros esses meus cabedais e a minha fé, recursos que os levo com muito cuidado e carinho, pois são leves e delicados, e comigo vão eles a toda parte, no meio das minhas amizades, misturados aos meus amores (que são muitos e vários) ao embalo de todas as minhas boas recordações, mais a lembrança constante dessas únicas riquezas que me alimentam de um cuidado especial, um zelo diferente, pois os recebi como dotes, não como herança material no formato de moedas cunhadas em ouro, mas como sendas poderosas que podem ser trocadas pelos benefícios do perdão e da caridade, únicas riquezas que avalio como seguras, pois são estas que nos garantem o ingresso na etérea morada.
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