XI
ENSINO PRIMÁRIO
Quando no final de 1963 a muito custo eu terminaria o curso primário no Grupo Escolar Coronel José Bento Nogueira, que os veteranos chamavam de "Zé Bento", lá em Minas Novas, além daquele fraco educandário ali não existia qualquer outra escola, seja de curso primário (as quatro primeiras séries do ensino fundamental), e muito menos o curso ginasial, que corresponde hoje ao período da quinta à oitava série.
Digo e reafirmo que aquele era um fraco educandário por que de fato essa era, infelizmente, uma triste realidade onde a grande parte das professoras era contratada como leigas e as poucas mestras que eram "normalistas" ficavam fora das salas de aula exercendo cargos de direção e cuidando dos interesses políticos.
Até mesmo a diretoria da escola era exercida, no meu tempo, por uma senhora muito distinta e ótima pessoa, mas que não reunia as demais condições de preparo para o comando de uma escola e nem lá comparecia com muita regularidade, pois aquele era muito mais um cargo honorífico do que de fato uma profissão tão séria como deveria ser para a adequada formação das crianças e do povo em geral..
E não era pela falta de pessoas especializadas, para o exercício de uma boa pedagogia, pois existiam na cidade várias normalistas, algumas delas até detentoras de graus especializados, as quais, porém não eram "da estrita confiança" do chefe político local.
E por isso, a maior parte dos minasnovenses, que cursavam faculdades, quando chegavam a se formar, era para não voltarem para sua terra natal e assim a cidade foi ficando cada vez mais sem cultura e sem uma juventude ativa, feliz, que lhe renovasse sempre o ânimo e a vida.
Algumas professoras "formadas" que quisessem lecionar teriam, antes, de passar pelo crivo do Dr. Chico Badaró, chefe político ranzinza que morava na capital, mas que exigia ser consultado e a quem competia sempre a palavra final em tudo que existia e que acontecia na cidade, inclusive era ele próprio que, à distância, decidia sobre nomeações de todo e qualquer funcionário, público desde os que trabalhavam na prefeitura, sendo o padre, o delegado de polícia, o promotor e o juiz de direito, além dos demais que deveriam atender nas demais repartições públicas, uma infinidade que era em todo o município o famoso "cabide" onde só permaneciam os seus fieis eleitores, seus "cabos", seus "bate paus", "paus-mandados" e seus "quarteirões".
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