O AVIÃO "TECO-TECO"
No final da década de quarenta do século passado foi preparada a primeira pista de pouso, daquilo que se pretendia ser um campo de avião para o município, no local onde é hoje o hospital e imediações, terreno que fora cedido pelos herdeiros do Capitão Tonico Pereira, local que logo depois ficou conhecido como Campo de Jovina.
Nessa pequena pista aterrissou com muita dificuldade apenas uma aeronave do Correio Aéreo Nacional, em vôo de averiguação quando pretendiam estender até Minas Novas aquela linha área que tanto benefício já trazia até à vizinha cidade de Capelinha.
Veio, junto do piloto, o Sr. Jacinto José, chefe político que apesar de ser natural de Chapada do Norte era radicado em Capelinha e que muito se dedicou ao progresso de toda a região como um dos grandes pioneiros, ao lado de Manoel Cristianismo Costa, Américo Barbosa e de José da Henriqueta, desbravadores das veredas e chapadões, as quais rasgavam com as pás e picaretas abrindo estradas de rodagem e construção de pontilhões, muitos deles que ainda continuam servindo, sobre os rios Araçuai, Itamarandiba e Fanado, possibilitando a chegada na região dos primeiros veículos automotores.
Uma pequena comitiva os esperava e testemunhou as perigosas manobras que o bravo piloto arriscou naquela histórica aterrissagem, forçado pela precariedade do campo de pouso o que, inclusive, em face da sua má localização e das diversas falhas apresentadas na execução das obras, as autoridades da Aeronáutica determinaram sua imediata interdição, mandando que se cancelasse o projeto ainda na sua fase embrionária.
Naquele evento, ao descerem do pequeno avião, adiantou-se até ele o inolvidável Mestre Frederico Roxo, que ali estava como representante do político Dr. Chico, o chefe político local, pois este, como de costume, vivia no Rio de Janeiro, ignorando - talvez de propósito – a visita do conterrâneo, quando o referido mestre, na qualidade de anfitrião, estendendo a mão diretamente ao piloto, como se esse fosse a autoridade mais importante ali presente, assim o foi cumprimentando:
"- Como vai seu Teco-Teco?
Seja vosmecê bem-vindo à
terra do Dr. Chico Badaró".
Foi o bastante para que os presentes se debruçassem, correndo para os lados, de tanto rir e a deixa para que o visitante Jacinto José se certificasse e pessoalmente confirmasse de que, da sua parte, não compensava mais ter qualquer esperança de contar com seriedade vinda das bandas dos políticos deste município, pois mais uma vez levava o calote do Dr. Chibano, que em nada se empenhara pela implantação do melhoramento, não se sabendo o destino que tomaram os vultuosos recursos que foram liberados para sua execução e tendo o bem intencionado empreiteiro logo voltando à sua cidade de Capelinha, aonde preferiu isolar-se, de vez, afastando-se da política irresponsável que era praticada na antiga Vila do Fanado, muito embora seu nome fosse ainda, por muitas vezes, indevidamente utilizado nos palanques para a conquista de votos.
A exemplo daquele fiasco de obra que era apenas uma grotesca raspagem do mato ralo, também nas outras empreitadas conjuntas de estradas e de pontes, as verbas liberadas tomavam rumos diferentes e resultavam sempre em prejuízo das inocentes populações que nada viam, nada ouviam e nada sabiam, a não ser beijar a mão de seu maior malfeitor, este que à custa do povo humilde engordava suas burras e subia na vida pública para satisfazer tão-somente seus próprios interesses.
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