LENDA DO BOI DE ADÃO
Adão Lope, na Bandeira de Adao Dias, era re-quinta daquela folia mas tinha ele tambem o seu proprio boi.
Aliás, aquele não era o primeiro boi dele, pois o seu primeiro boi chamava Porém, o segundo Mantimento e o terceiro, chamado Aliaz, era um boi que usava paletó, como gente, mas sem manga para pastar.
Esse boi Aliaz vivia solto, nao na larga como os outros bois, mas libertino e livre pelas ruas daquele largo, nesse vago lugar.
Esse boi Aliaz vivia solto, nao na larga como os outros bois, mas libertino e livre pelas ruas daquele largo, nesse vago lugar.
A manga do Boi de Adão, Aliaz, antes ele a perdeu no jogo de azar, na barraquinha de leilao daquele dia da feira do Mocotó, quando era dia de dancar o nove e ele, ao inves de cair no caboclo, para dancar o manganga, foi obrigado a dar sua manga inteira para entrar na festa, para o Boi não entregar.
Esse pobre Boi, Aliaz, que já era o unico, não fazia mais parte de uma boiada.
Esse pobre Boi, Aliaz, que já era o unico, não fazia mais parte de uma boiada.
Mesmo sem manga para pastar, ele mangava dos outros bois pelas ruas, como um Judas chupando manga, com seu Boi Aliaz pastando as roseiras dos jardins públicos e das casas onde moravam Rosário, Sinha Lucia Fogueteira e Chico Vieira, pois nesse tempo era usual as vacas, nao os bois, por nao haver curral, produzirem leite de rosas que era muito usado para perfumar as mulheres do Congado.
E muitas eram as vacas para o unico boi e várias eram as Rosas, no meio daqueles festivos espinhos, que gostavam do Adão, cantador de re-quinta, contador de lorotas, dancador traquina e devoto de Ze Pilintra.
Uma delas era a Rosa Paneleira, alem da Rosa Fanadeira, da Rosa Rendeira, da Rosa Fagueira, que era rosa cheirosa e faceira, rosa prosa e matreira e que, purriba, tinha nome de Fulo.
Uma delas era a Rosa Paneleira, alem da Rosa Fanadeira, da Rosa Rendeira, da Rosa Fagueira, que era rosa cheirosa e faceira, rosa prosa e matreira e que, purriba, tinha nome de Fulo.
Certo dia, instigado pelas outras rosas, no meio das roseiras da Rua do Rosario, Adão do Paletó Sem Mangas, vendo Aliaz acuado e sem outra opcao, transformou-se numa beia tonta, criou asas mas viu que estava com uma terrível fome, depois de ingerir muito me na casa de seu Migue e então resolveu matar o seu Boi.
Adao levou Aliaz ao Poço do Moinho, deu-lhe um banho na cachoeira, alisou-o e o ensaboou e, bem cheiroso, jogou o seu boi no Caldeirão.
Mas o boi Aliaz, ja velho, com medo de virar vaca, mesmo escovado, nao deu no ponto de ser comido e morreu afogado como um ganso tonto depois de beber toda a agua que havia no Boncesso, que ate hoje esta seco.
Chamaram Salia e Coca de Nazare de Mae Sinha para o aproveito da carne imprestavel para linguica, chorico, goia ou mucela daquele boi Aliaz morto e esquartejado como um martir naquele perigoso poco do Moinho, e assim dele se fez sabão para ajudar na Lavação da Igreja, no dia da Quinta-feira do Angu.
Chamaram Salia e Coca de Nazare de Mae Sinha para o aproveito da carne imprestavel para linguica, chorico, goia ou mucela daquele boi Aliaz morto e esquartejado como um martir naquele perigoso poco do Moinho, e assim dele se fez sabão para ajudar na Lavação da Igreja, no dia da Quinta-feira do Angu.
E por isso hoje não há mais nem história do Boi Aliaz de Adão, e as Rosas, mesmo as que ficaram para enfeitar a Festa de Junho, lá no Rosário, não vêem mais o Adão, mas em sua homenagem adotaram o uso de paletós sem manga que depois passaram a se chamar de opas amarelas.
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