VI
MEU CORAÇÃO
Meu coração, como já disse também um poeta, tem lá suas crateras imensas, e tem também suas majestosas catedrais.
As crateras, eu as prefiro ocupadas com minhas esperanças.
Já as catedrais, estas eu as freqüento sempre, polindo seus vitrais de boas recordações, pelos quais deixo penetrar feixes de luzes coloridas e abundantes de alegria e de felicidade.
E como toda bela e bem cuidada construção que se preze, possui a minha catedral interior uma boa estrutura de acústica, de boa ventilação, de admiráveis arcadas e abóbadas que são periodicamente espanadas para livrarem-se das teias de aranhas que insistem em reter pó e sujeira.
Os obstáculos, os precipícios, as tempestades, os espinhos e todas as outras mazelas que podem surgir no nosso caminho devem ser vistas como acidentes em nosso percurso, agentes externos, coisas estranhas, apêndices inoportunos que a própria vida vai colocando nas estradas para testar a nossa fé em Deus e ao mesmo tempo para lembrar-nos de que somos muito pequeninos diante da sua imensa bondade, o que não proíbe de usufruirmos de muitos outros bens, como o nosso livre-arbítrio, o poder de amar, de pressentir a presença divina, a capacidade de enxergar os obstáculos para contorná-los, para superá-los e, se for o caso, também de desafiá-los pelo simples prazer de demonstrar que nada existe no mundo que não possa ser dominado pela inteligência e pelo Bem.
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