TIÃO CORTA PAU
MARIA FAZ ANGU
TEREZA, VÁ AO MATO
ARRANCAR O CARIRU...
Certa feita foi preciso que a administração municipal mandasse efetuar o corte de uma árvore frondosa, a qual existia no largo de Naná Costa, por causa de vários motivos que incomodavam, não só ao prefeito, mas de resto à maior parte da população.
A referida figueira era o reduto de um estranho e minúsculo inseto, que se multiplicava na cidade e que causava intenso e doloroso prurido nos olhos.
Fizeram de tudo para dar combate e extinção do danado do mosquitinho, aplicando-lhe inseticidas de toda espécie, mas o bicho era muito resistente e ficava cada vez mais nocivo.
Ademais, a oposição, cheia de gosto pelo insucesso do prefeito na sua mal sucedida briga no combate à praga, batizou o besouro com o nome de "barbosinha", a exemplo do "amintinhas" que na capital mineira obrigara o alcaide de lá mandar cortar a bonita arborização da Avenida Afonso Pena, assim como o "lacerdinha" tinha mandado fazer o mesmo nas avenidas lá no Rio de Janeiro, há alguns anos.
A polícia florestal havia chegado de pouco e precisava mostrar serviço na cidade.
Poucos liam jornal ou escutava-se rádio e por isto mesmo, muito pouco eles sabiam do que acontecia pelo mundo.
Ao serem notificados pelos opositores do prefeito de que este estava disposto a liquidar com a árvore, escamoteando a real motivação que levava o alcaide a tomar aquela drástica atitude, pois não havia outra alternaativa, resolveram os militares, os do Chapelão, a se intercederem pela ecologia, defendendo a "pobre e indefesa espécie em extinção" que nada mais era do que um desses "fixus italianos" inconvenientes que, ao se tornarem adultos, estendem suas longas raízes em direção aos alicerces das casas e logo as colocam abaixo.
Poucos liam jornal ou escutava-se rádio e por isto mesmo, muito pouco eles sabiam do que acontecia pelo mundo.
Ao serem notificados pelos opositores do prefeito de que este estava disposto a liquidar com a árvore, escamoteando a real motivação que levava o alcaide a tomar aquela drástica atitude, pois não havia outra alternaativa, resolveram os militares, os do Chapelão, a se intercederem pela ecologia, defendendo a "pobre e indefesa espécie em extinção" que nada mais era do que um desses "fixus italianos" inconvenientes que, ao se tornarem adultos, estendem suas longas raízes em direção aos alicerces das casas e logo as colocam abaixo.
Mas a instigação era tão grande e o fuxico era tanto na cidade, como sempre, agigantando-se na intriga e na força dos políticos chibanos insatisfeitos com o pobre do prefeito, principalmente quanto era alimentado pelo tradicional grupelho da Casa Grande,, essa turma de uma meia dúzia de puxa-sacos que não tinha outra atividade a não ser criar situações desfavoráveis, até mesmo a seus próprios correligionários, como era o caso em questão, isto porque, estes que promoviam o impasse estavam se sentindo diminuídos, perante a opinião pública, porque já não estavam eles sendo muito solicitados a darem seus palpites, naquela administração que ia em curso, de forma mais ou menos independente daquele grupo de pés-de-cabra, que se sentiam desmamados, gulosos e gananciosos que sempre foram pelas tetas municipais.
Enfim, era uma maneira de desmoralizar o prefeito que lhes estava encurtando as rédeas e os dispensando do convívio palaciano, gradativamente, ao ponto dele, o prefeito, já se sentir bem aceito até pelos líderes da oposição, que lhe olhavam com bons olhos e lhe estavam dando todo apoio naquelas circunstâncias do momento. E, de fato, o prefeito estava surpreendendo a todos com um governo equilibrado, aplicando bem os poucos recursos com os quais contava, de forma racional, e impedindo, com firmeza, os antigos desmandos que eram comandados por aquele grupinho de insatisfeitos, tudo isto, certamente, graças à sua índole de gente pacata e de boa formação, mesmo sendo ele um homem simples, mas que fora criado em ambiente de respeito, e que, ademais, contava sempre com a boa orientação, e segura assessoria que lhe prestava a sua zelosa esposa, uma pessoa com larga experiência no trato com o público, setor em que sempre foi muito acreditada, em todo o município, muito ponderada e caridosa, mas que sempre foi, também, acima de tudo, muito franca e justa, o que contribuía imensamente para aquele indiscutível sucesso administrativo.
E isto, para eles, era como se fosse uma humilhação aos apaniguados filhotes do "coronel", que passaram a ser conhecidos como cabras-desmamados a partir de então, que não queriam admitir tanto apoio que a população a distinguir um prefeito de origem pobre, que não tinha berço, como eles julgavam ter, pois lhe faltava, como julgavam, o "sangue azul" que corria somente em suas próprias e augustas veias.
O prefeito, no seu entendimento de autoridade maior do município, além da razão que o motivava, resolveu, com todo o direito, de endurecer naquele jogo, pois já sabia da movimentação em curso, levada a efeito pelos próprios companheiros de partido, mas que naquele episódio agiam pior do que os piores opositores, no firme propósito de lhe puxarem o tapete e, vivo como ele sempre foi, percebeu que havia uma mão de gato querendo mexer naquela sardinha.
Mandou, pois, reunirem-se os empregados da prefeitura e com machados, cordas, facões e foices, partiu resoluto,à frente do pessoal, em direção à "inimiga" e bem dispostos ao que desse e que viesse. Lá chegando, a área do canteiro, onde imperava a majestosa espécie de vegetal exótico, já estava fortemente protegida por três "chapeludos", sob os olhares de uma grande multidão que se acotovelava pelos sobrados, calçadas e esquinas do largo das Nanás.
O povo assobiava, apupava, e de vez em quando, um rojão pipocava no detrás de algum quintal.
O povo assobiava, apupava, e de vez em quando, um rojão pipocava no detrás de algum quintal.
Os ânimos já iam-se acirrando, quando, de repente, o prefeito, com o machado em riste, avança por entre os três soldados, rompe o cordão de isolamento e aplica o primeiro golpe no tronco da árvore.
Foi a conta exata: a essa altura, ninguém dava mais notícias do paradeiro dos Florestais. Escafederam-se todos, insuficientes que se viram para conter aquela turba insana, e, num piscar d'olhos, só se viram folhas e galhos esparramados por todo o canto da praça, pois uniu todo o mundo, que ali se encontrava, de facão e foice, como se fosse uma guerra, e em pouco tempo, da pobre da árvore restaram apenas o tronco abatido, como um cadáver, e um grande monte de gravetos, como sua mortalha.
Colocaram o prefeito sobre o tronco da árvore derrubada e os carregaram, como herói e troféu, em ruidosa passeata pela cidade, transformando-se o evento num verdadeiro carnaval temporão.
Infelizmente, porém, pouco tempo depois de se livrarem daquele único exemplar de uma espécie obtusa, o município foi totalmente invadido por milhões de outros exemplares de uma espécie também alienígena, umas árvores muito mais nocivas, estranhas e fedorentas que desalojaram nossos vaqueiros, campeiros e roceiros, que fez multiplicarem-se os bóias-frias e migrantes, que permitiram sulcarem-se as chapadas, caatingas, matas e cerrados, drenando as lagoas, assoreando os rios, secando criminosamente nossas águas e aniquilando com nossas fauna e flora, invadindo os espaços que antes eram ocupados pelos saudosos pequizeiros, cagaiteiras, mangabeiras, gravatás, jatobás e tantas outras árvores dadivosas que matavam a fome dos nossos sertanejos e groteiros.
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