MOVIMENTO PRÓ-FANADO
(PROFANADO ?)
Repito-te,
‘Oh rio que corre como um réptil:
És hoje um rio réu,
Condenado que estás
pela tua triste sina
de receber em teu leito
o veneno da resina
dessa planta
que espalha o terror!
E a vida que a raiz
com raiva busca,
Lá no fundo, sob a relva,
Mas vem com a ira
Vem com veneno
Vem com furor.
Resigna-te Rio:
Também no ar há a fuligem
E não estás só, na tua dor.
Repara Rio:
Como é que se respira,
Com todo esse fedor?
Esvai-se pela chaminé
das carvoeiras
A vergonha que no forno
assa-peixe, assa-gente,
Leva tudo de arrastão
E assassina, assoreia,
com o fogo, calcina,
envenena, o ar elimina,
essa é a combustão.
Polui, desequilibra,
Dissemina agrotóxico
Causando o maior embaraço
Pois este é o tal negocio
Que ao povo da roça intriga
E que só é bom pro Vale do Aço.
E vai-se o rio do ouro falhado
minguado, sem reação...
Vai, Fanado, corre... corre ...
Talvez, tenhas ainda salvação!
Pois a natureza é sábia
Certamente que dará o troco.
Tua esperança, não te esvaia...
Ah, se eu tivesse um tição...
Oh, que maldição!
Oh, que imensa tentação...
Tinta anos de Acesitas:
- Bodas de carvão,
Bodas fatídicas,
de tão imensa profanação!
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