“CAUSOS” QUE VOVÔ DOMINGOS ME CONTAVA
- A falência do Paráclito Divino Espírito Santo, que foi decretada por um Juiz de Direito que, tendo sido ele expulso de Roma por ordem do Papa Leão XIII - em razão de falcatruas cometidas quando estava investido do cargo de ministro plenipotenciário junto ao Vaticano - revelou-se como sendo uma clara vingança contra a Igreja, quando esse “juiz de fora”, passando a usar do seu cargo, resolveu eliminar os vestígios do poder e da influência da Santa Sé na região - para onde foi designado, ou melhor, confinado - como castigo exigido pelo Vaticano ao Império, ato que antecedeu a sua oficial excomunhão, ocorrida já na vigência da República Brasileira.
Minas Novas, sendo uma das mais antigas cidades de Minas Gerais, tem a sua história oficial muito pouco conhecida e um folclore vasto e rico a ser registrado em memoráveis crônicas. Entretanto, em razão de motivos óbvios em terra de eternos “coronéis”, tanto a história como as “estórias” são conhecidas segundo a versão daqueles que sempre detiveram o poder e que exercem, segundo seus próprios interesses, o controle absoluto de todas as realidades, todos os registros e informações, não sendo diferentes estes interesses guardados a sete chaves para esconder a verdadeira história da tricentenária Vila do Fanado.
Desde meu tempo de criança me interessei por histórias e na condição de freqüentador assíduo da casa de meu bisavô, dele pude ouvir muitas delas, como seu atento e predileto ouvinte - pois desde muito cedo aprendi a prestar muita atenção aos seus casos sobre fatos que tinha conhecimento em razão de suas estreitas ligações com os padres, os políticos e os chefões do lugar.
Na casa do vovê Domingos era comum ouvir-se falar de “mulas sem cabeça”, de “velhos carecas”, de “morcegões de igreja”, de “carneirinhos roxos”, de “mulheres do dentão” e outras assombrações folclóricas, mas também de muitas passagens reais que me causavam arrepios, como o fenômeno da passagem do Cometa de Halley, da epidemia de febre ocorrrida no início do século passado, da queda das torres da Igreja de São Francisco, do arremesso da coroa do Divino pelas janelas da casa de um festeiro e do curioso incêndio que destruiu parte da residência de um prefeito, justamente no dia de uma Festa do Divino Espírito Santo.
Meu bisavô, em seus quase 100 anos de existência, teve uma vida cheia de atividades e aventuras, gozava de uma lucidez incrível e de suas memórias que me descrevia, com minúcias e todos os detalhes, repassou-me informações sobre vários acontecimentos de que fora testemunha ocular no decorrer de toda sua atuação nos diversos segmentos comunitários de nossa histórica Minas Novas.
Nascido em São João da Chapada, no município de Diamantina, sua mãe, que era muito jovem, quase uma menina que se engravidara aos 12 anos, em virtude de uma relação forçada com um garimpeiro de diamantes que a seduzira - um judeu sefardita – foi assim obrigada pelo pai a permanecer solteira, bem como forçada a entregar a criança recém-nascida a seu tio e futuro padrinho, o Cônego Zeferino Figueiró, que morava no distrito de Sucuriu, no Sobrado da Rua Direita, onde depois foi batizado para ali viver como filho adotivo até seguir com seu padrinho, jovem sacerdote nomeado Vigário Colado da freguesia de Capelinha da Graça, onde o manteve até à idade de 10 anos.
Tendo chegado à época escolar, foi enviado o meu bisavô a Minas Novas para ser educado na casa do Cônego José Barreiros da Cunha Jobarcum, que era o Vigário Geral da Paróquia de São Pedro do Fanado, na sede do município onde, nesse memoravel tempo ainda havia escolas bem adiantadas, onde foi ele colega de infância daquele que seria, muito tempo depois, o Bispo Dom João Pimenta.
Tornou-se, assim, sacristão e o auxiliar de confiança do velho sacerdote, que já bastante idoso, era responsável pelos distinos de uma Paroquia tao vasta e importante, então vinculada a de Diamantina, mas que se preparava para se tornar a Diocese de Sao Pedro do Fanado.
E foi assim que o meu bisavô se lembrava de como se sucedeu a restauração dos templos, quando os religiosos da paróquia cuidavam do termino de construção da Matriz e muitas outras obras de grande importânca como a Casa do Divino e a Casa de Misericordia, iniciadas no tempo do Cônego José Pacifico Peregrino de Melo e Silva e que se transformariam, algum tempo depois, na Santa Casa de Caridade sob a lideranca do Dr. Francisco Martiniano de Oliveira, ja no final do século 19 e inícios do século 20.
Tornou-se, assim, sacristão e o auxiliar de confiança do velho sacerdote, que já bastante idoso, era responsável pelos distinos de uma Paroquia tao vasta e importante, então vinculada a de Diamantina, mas que se preparava para se tornar a Diocese de Sao Pedro do Fanado.
E foi assim que o meu bisavô se lembrava de como se sucedeu a restauração dos templos, quando os religiosos da paróquia cuidavam do termino de construção da Matriz e muitas outras obras de grande importânca como a Casa do Divino e a Casa de Misericordia, iniciadas no tempo do Cônego José Pacifico Peregrino de Melo e Silva e que se transformariam, algum tempo depois, na Santa Casa de Caridade sob a lideranca do Dr. Francisco Martiniano de Oliveira, ja no final do século 19 e inícios do século 20.
Na condição de secretário, enfermeiro, farmacêutico e, posteriormente, de provedor daquela Casa de Saúde que foi extinta na década de 1970, ele permaneceu a seu serviço por cerca de 60 anos, sem jamais saber de salário ou de aposentadoria. Dessa privilegiada posição de observador, na constante diligência de sua missão de servir a todos sem jamais assumir posições a favor de questões relacionadas a políticas ou a qualquer outra de caráter conflitante, tinha trânsito livre em todas as camadas da sociedade.
E, desta forma, guardava consigo segredos que, às vezes, quando instado pelos filhos, estes pouco afeitos ao domínio coronelístico que o explorava, deixava ele escapar alguma revelação sobre fatos que incomodavam a sua consciência de homem caridoso, sensível e forjado no convívio severo daqueles antigos religiosos, sempre com a observação crítica de quem, mesmo sendo voto vencido nos momentos da tomada de decisões, era submetido a essas injustiças e opressões, revelando-se contrário a elas, manifestando-se sem medo o seu humilde descontentamento e o seu sincero repúdio que, não raro, lhe custava o desagrado do chefe político que não admitia ser contrariado, mesmo nas atitudes mais absurdas sob a ótica moral e do bom senso.
E, desta forma, guardava consigo segredos que, às vezes, quando instado pelos filhos, estes pouco afeitos ao domínio coronelístico que o explorava, deixava ele escapar alguma revelação sobre fatos que incomodavam a sua consciência de homem caridoso, sensível e forjado no convívio severo daqueles antigos religiosos, sempre com a observação crítica de quem, mesmo sendo voto vencido nos momentos da tomada de decisões, era submetido a essas injustiças e opressões, revelando-se contrário a elas, manifestando-se sem medo o seu humilde descontentamento e o seu sincero repúdio que, não raro, lhe custava o desagrado do chefe político que não admitia ser contrariado, mesmo nas atitudes mais absurdas sob a ótica moral e do bom senso.
Muitas foram as vezes que eu o vi chorar, não escondendo até mesmo um sentimento de culpa, ao se lembrar e me narrar, visivelmente emocionado, de algum fato relacionado ao tempo que classificava como "tempo do cativeiro" em que tivera presenciado ou dele sido informado, ao qual, mesmo que se negando dele compactuar, não tivera forças para impedir de ser executado, tão severos eram os métodos adotados pelos coroneis e chefes políticos, opressores que exigiam ser obedecidos com todo o rigor.
Muitos eram os casos de injustiças de fazer tremer as estruturas de nosso sentimento fanadeiro como, por exemplo, a remessa, em várias oportunidades, de doentes de moléstias comuns aos sanatórios longínquos, como se fossem aqueles infelizes, de fato, pessoas portadoras de alguma doença grave e clinicamente diagnosticada como contagiosa ou degradante, que naquele tempo exigia isolamento absoluto em colônias distantes, quando nem sempre a decisão se baseava em diagnóstico justo, mas como pretexto de se evitar despesas com sua internação na Santa Casa ou até mesmo por motivação de ordem política, quando a pessoa em questão fosse um adversário, um familiar inconveniente, um desafeto ou parente deste de que se quisesse ver livre para não importunar os interesses localizados.
Eram esses procedimentos, na maioria das vezes, como uma condenação infame, imposta aqueles infelizes, sem qualquer possibilidade de defesa daquelas miseráveis criaturas, cujas famílias, além da amarga separação do ente querido, carregavam para sempre o estigma deixado pela suposta molétia e o isolamento definitivo em seus tugúrios.
Há fatos relacionados ao massacre dos índios de Tocoiós; o extermínio da família dos Catuás; a morte de um engenheiro da Bahia-Minas, em crime de tocaia na região de Novo Cruzeiro, as parcerias com outros coronéis da região para lograr o Estado nas empreitadas para construir estradas, pontes e campos de avião para o CAN, além de muitos outros episódios que pretendo narrar, com os detalhes que merecem, em outra oportunidade.
Era esse o famoso tempo do “carrancismo”, quando a vontade do coronel local era a “lei” e as suas ordens não podiam – jamais – ser contrariadas ou criticadas. O coronel era a autoridade absoluta e não admitia o surgimento de qualquer liderança, na cidade, que pudesse ameaçar a sua posição de mando, quando a vida social era por ele controlada, sendo dele o comando geral de todas as repartições públicas como escolas, quartéis, cartórios e demais serviços urbanos e atividades profissionais. Para garantir esse controle rigoroso não era permitida a ascensão econômica, de qualquer natureza, e o povo tinha que ser mantido na mais completa ignorância, sem acesso aos conhecimentos rudimentares das ciências, com algumas raríssimas concessões que não iam muito além daquelas que eram permitidas aos escravos. As escolas ensinavam através de cartilhas bem fiscalizadas e os mestres eram orientados a doutrinar os alunos de acordo com os interesses da Casa Grande, sob pena de perderem o emprego ou de serem removidos para localidades distantes, devendo ter cada um o objetivo único de formar eleitores para votar exclusivamente no candidato indicado pelo Coronel.
Até mesmo os padres eram obrigados a se submeter a tais interesses e, quando aparecia algum religioso que não aceitasse tais condições, passava ele a sofrer todo tipo de perseguições, que iam desde o descrédito material, ao desamparo de suas necessidades básicas, até mesmo à degradação moral mediante campanhas de difamação e de artifícios para indispô-lo com o sentimento cristão do povo simples e humilde do lugar, como fora o que ocorrera com o cônego José Pacífico Peregrino e Silva, com o seu irmão, o Padre Salustiano, assim como o que sucedera com o padre Adrião Melo e até mesmo com o Cônego Barreiros, este que foi injustamente acusado das mais sórdidas irregularidades, no exercício de sua missão como Vigário Geral, cargo que exerceu até o ano de 1918, fatos estes que lhe foram imputados e de que jamais tivera qualquer participação e sobre calúnias à sua conduta na qual nunca foram encontrados quaisquer indícios de provas que o incriminasse, o que, embora quase que tardiamente, obrigou a própria Igreja a se penitenciar e reconduzi-lo ao cargo que lhe fora tirado em razão de intrigas, já às vésperas de seu falecimento no ano de 1923.
A Paróquia de São Pedro do Fanado, desde os idos de sua gloriosa elevação, vinha sendo preparada, sob os cuidados auspiciosos do brilhante cônego José Pacífico Peregrino, sucedido nessa missão pelo cônego Barreiros, que se preparava para assumir a Diocese do Fanado, em regime de instalação, o que justificava os preparos de edificação da Igreja Matriz de São Pedro, a ser transformada em Sé, além da disponibilidade da ampla Casa dos Contos que fora adquirida para se transformar em Paço Episcopal e a Fazenda do Mirante, antiga residência do Ouvidor da Vila, que já estava, naquele tempo, ocupada pelos demais membros do cabido.
Com o advento da Independência, proclamada por Dom Pedro I, inviabilizou-se o projeto de transformação da Vila em Capital da Província do Jequitinhonha, conforme lei já aprovada pelo senado provincial, mas que aguardava homologação de Dom Pedro, cuja tramitação foi sobrestada com a mudança de rumos políticos com a abdicação do trono e pela desmotivação ao projeto, conforme demonstrava os regentes do principe Dom Pedro II, cuja visita a esta cidade ficou eternamente adiada, sempre em compasso de espera, cuja má-vontade se acirrou com a proclamação da república, deitando por terra todos os esforços até ali desenvolvidos.
Enquanto durou o Império as coisas foram levadas em banho-maria, admistrando o atraso, o abandono e a omissão, tudo de forma orquestrada para que permitir a conspiração, já em curso, dos projetos deflagrados em 1942 na Revolução Liberal, da qual resultou o confinamento de Teófilo Otoni que foi condenado a cumprir o estranho degredo em algum lugar distante mas dentro da comarca de sua terra natal (Serro), Na Vila do Fanado, já na condição de cidade (dssde 1830) onde viveu esse político com o nome de Dr. José de Magalhães Otoni, enquanto, com o apoio dos fazendeiros e políticos liderados pelo Coronel Ferrabrás, maquinava a sua Loja Maçônica e a sua acalentada Companhia do Mucuri.
O golpe mortal, porém, desferido violentamente contra a instalação da Diocese de São Pedro do Fanado - sonho acalentado pelo saudoso Cônego Pacífico, naquela época já falecido no distrito de Teófilo Otoni - foi a Proclamação da República, consequentemente com a separação dos poderes eclesiástico e do Estado, secundado pelo abandono e depois com o próprio processo de demolição da igrreja que seria destinada à sé episcopal, da qual as últimas paredes foram dinamitadas nos idos da segunda década do século passado, quando suas jóias e alfaias já haviam tomado rumos ignorados.
Nesse época ainda era vivo o Cônego Barreiros, que faleceu em 1923 e que há muito vinha demandando, com todas as suas forças, no sentido de impedir a derrocada do projeto, para o qual encontrava a antipatia do bispo de Diamantina e a preferência deste pela instalação da diocese na cidade de Araçuai.
De outra vertente havia a indisposição do Dr. Francisco Duarte Coelho Badaró, juiz de direito e genro do chefe político de toda a região, o Coronel José Bento Nogueira, ambos que também não se interessavam pela questão religiosa do lugar.
Aquele magistrado, que ao voltar para Minas Novas, na condição de juiz de fora, teria antes exercido o importantísimo cargo de ministgro plenipotenciário junto ao Estado do Vaticano, na vigência dessas funções, lá em Roma, envolvera-se em questões diplomáticas divergentes da Igreja Católica e em razão delas foi destituido das funções e obrigado a retornar ao Brasil, depois de condenado pela justiça italiana em conturbado processo que o acusava de bigamia. E tendo saido magoado com sua expulsão pelo papa, que o considerou como "persona non grata" achava que o desprestígio do clero, na cidade de Minas Novas, configurava-se, para ele, uma boa oportunidade de vingar-se do Papa Leão XIII que o excomungou, diante do que se apurou no crime de adultério por ele cometido ao contrair matrimônio com sua amante italiana.de nome Adelle Spiambeta, ao tempo que era o nubente também casado com Luiza Nogueira, deixada à sua espera na antiga Vila do Fanado.
A antiga Igreja Matriz de São Pedro ocupava o local onde está construida a rodoviária da cidade e sua demolição se iniciou ainda no final do século 19, sendo que até 1929, naquele mesmo local, preservou-se uma parte da nave do cruzeiro, com suas talhas residuais que foram depois recolhidas para a igreja de São Francisco. Os políticos da cidade alegavam que a demolição daquele amplo e rico templo se fazia necessária em razão da sua ociosidade, quando não seria mais aproveitado para os objetivos antes programados e que as pedras e as madeiras do desmanche deveriam ser utilizados na construção de uma ponde rodoviária sobre o rio Fanado, que não chegou a ser terminada e da qual pode-se ver ainda hoje, curiosamente, o único pilar que dela restou e que não foi afetado pela grande enchente do rio que a destruiu na época da construção.
Nesse época ainda era vivo o Cônego Barreiros, que faleceu em 1923 e que há muito vinha demandando, com todas as suas forças, no sentido de impedir a derrocada do projeto, para o qual encontrava a antipatia do bispo de Diamantina e a preferência deste pela instalação da diocese na cidade de Araçuai.
De outra vertente havia a indisposição do Dr. Francisco Duarte Coelho Badaró, juiz de direito e genro do chefe político de toda a região, o Coronel José Bento Nogueira, ambos que também não se interessavam pela questão religiosa do lugar.
Aquele magistrado, que ao voltar para Minas Novas, na condição de juiz de fora, teria antes exercido o importantísimo cargo de ministgro plenipotenciário junto ao Estado do Vaticano, na vigência dessas funções, lá em Roma, envolvera-se em questões diplomáticas divergentes da Igreja Católica e em razão delas foi destituido das funções e obrigado a retornar ao Brasil, depois de condenado pela justiça italiana em conturbado processo que o acusava de bigamia. E tendo saido magoado com sua expulsão pelo papa, que o considerou como "persona non grata" achava que o desprestígio do clero, na cidade de Minas Novas, configurava-se, para ele, uma boa oportunidade de vingar-se do Papa Leão XIII que o excomungou, diante do que se apurou no crime de adultério por ele cometido ao contrair matrimônio com sua amante italiana.de nome Adelle Spiambeta, ao tempo que era o nubente também casado com Luiza Nogueira, deixada à sua espera na antiga Vila do Fanado.
A antiga Igreja Matriz de São Pedro ocupava o local onde está construida a rodoviária da cidade e sua demolição se iniciou ainda no final do século 19, sendo que até 1929, naquele mesmo local, preservou-se uma parte da nave do cruzeiro, com suas talhas residuais que foram depois recolhidas para a igreja de São Francisco. Os políticos da cidade alegavam que a demolição daquele amplo e rico templo se fazia necessária em razão da sua ociosidade, quando não seria mais aproveitado para os objetivos antes programados e que as pedras e as madeiras do desmanche deveriam ser utilizados na construção de uma ponde rodoviária sobre o rio Fanado, que não chegou a ser terminada e da qual pode-se ver ainda hoje, curiosamente, o único pilar que dela restou e que não foi afetado pela grande enchente do rio que a destruiu na época da construção.
Desse episódio, contava-me o meu bisavô, que para justificar o ato extremo dessa barbaridade, que foi perpetrada contra os ideais de toda uma comunidade católica e tão tradicional na sua fé, aquele injusto e arrogante juiz, argüido em suas razões e se valendo do incentivo dado pelo sogro ateu, alegou que os religiosos desta paróquia formavam um grupo contrário aos interesses da República Brasileira, de vez que eram mantidos pelo Paráclito Divino Espírito Santo, referindo-se a este como uma pessoa comum que agia a favor do decadente Império, estando pois, além de desafiando o poder constituído da República, como contribuinte devedor inadimplente com o fisco municipal e com o Erário Federal, devendo seus bens serem confiscados, como de fato o foram, para pagamento das dívidas executadas e sua conseqüente liquidação como “massa falida”, até mesmo porque não se justificaria a existência de qualquer “império” em plena vigência do novo regime.
Além da demolição da Igreja Matriz de São Pedro foram confiscadas as jóias dos santos, as alfaias dos altares, os vasos sagrados e arrecadou-se, senmdo leiloados para pagar as custas e honorários advocatícios, transferindo ao patrimônio particular de sua própria família os demais bens imóveis como a Fazenda do Mirante, partes do Sobradão e a antiga casa-sede do “Império”, que tempos depois foi vendida ao advogado Dr. Arlindo Vieira dos Santos, eterno patrocinador das causas chibanas.
Os autos judiciais referentes a este curioso processo, até bem pouco tempo existia nos arquivos do Fórum (Cartório do 2º Ofício) e uma cópia dos respectivos documentos se encontram em poder dos sucessores legais de José Cristianismo Costa que, em vida, adquiriu direitos (parte do formal de partilha) de um dos herdeiros dos alegados bens, conforme escritura registrada no Cartório Imobiliário da Comarca.
A herança maldita daqueles antigos coronéis, além do DNA que continua correndo nas veias de seus sucessores, alimenta ainda a sede de poder e o desejo de se manter a oligarquia, o feudo, a chibata e o velho curral eleitoral.
Ainda hoje na cidade de Minas Novas a maioria da população tem medo de fazer qualquer tipo de oposição ao ex-senador biônico Murilo Badaró, acreditando-se que ele seja detentor de extraordinários e ilimitados poderes, o que ele, matreiramente, com todos os artifícios procura incentivar como verdade, para que a fama o faça, de fato, temido e poderoso. E para fazer eternizar este mito, egresso das forças mais conservadoras e retrógradas do país, passando-se pela ditadura militar, existe toda uma estrutura que lhe garante o controle social do município, como um incrível monopólio da informação de massa e o suporte econômico de empresas que se aproveitam da situação de abandono para continuarem como parceiras na exploração predatória dos recursos naturais de toda a região, sem se falar na absurda determinação de manter o povo na mais absoluta ignorância e na mais comovente e piedosa miséria.
É inadmissível, sob o ponto de vista democrático e de direitos humanos, que estes fatos não sejam esclarecidos. Não compreendo quais sejam os motivos de estarem acobertados, já que estamos em pleno século 21, sem qualquer investigação histórica mais detalhada para o esclarecimento de muitos desmandos políticos que refletem negativamente nos dias atuais.
Existe um vácuo enorme, uma lacuna histórica perdida no tempo, onde não se vê qualquer alusão a figuras importantes como a do cônego Pacífico Peregrino e Silva, que era o coadjutor da Paróquia de São Pedro e que tinha a missão de prepará-la para ser elevada à condição de Diocese. Esse religioso chegou a se eleger Deputado e teve grande importância na aprovação de leis há muito engavetadas e que depois passaram a vigorar mas teriam seus benefícios originalmente previstos para beneficiar a sede do município de Minas Novas, cujos efeitos foram desviados sorrateiramente para desenvolver o distrito de Filadélfia, em flagrante prejuízo para a velha cidade do Fanado. Outra grande omissão é quanto à participação histórica do professor José Eloi Otoni e também de seu tio, o bacharel José de Magalhães Otoni, este que, na verdade, era o próprio Teófilo Benedito Otoni, de dupla identidade, disfarçado estrategicamente de fazendeiro (cumprindo condenação que lhe fora imposta pelo Império em razão de sua participação na Revolução Liberal de 1842) gozando de suas benesses de súdito do Império (do qual era adversário com o nome real) mas que em sua propriedade na beira do Rio Fanado, (Fazenda do Degredo - Degredo do Magalhães), de lá advogava, controlava os cartórios e líderava em todo o norte mineiro o seu projeto maçonico, fortalecendo-se, em todos os sentidos, para poder desenvolver seu projeto de retornar à vida pública, como de fato aconteceu, podendo livremente viabilizar a colonização da região do Mucuri, em secreto entendimento com os coronéis e políticos da região que o acobertavam e lhe davam guarida em troca de futura compensação, como de fato se efetivou, tão logo se verificou a emancipação da cidade de Teófilo Otoni.
OBSERVAÇÃO
Tem culpa no cartório aqueles que têm medo de ser investigado. A história, mesmo a que é transmitida pela oralidade, tem que ser protegida, pesquisada e difundida. Os fatos relacionados aos políticos e à administração pública é de domínio popular e por isso mesmo precisa ser divulgado.
A gestão das Páginas de Transparência Pública é regulamentada pelo Decreto nº 5.482, de 30 de junho de 2005 e pela Portaria Interministerial nº 140, de 16 de março de 2006, que determinam a divulgação de dados e informações pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal na Internet.
Prezado companheiro
ResponderExcluirMeu nome é Ismael Ferreira dos Santos. Sou morador de Vila Velha/ES. Estou fazendo um levantamento das genealogia da minha família e as poucas informações que tenho me levaram a pesquisar estas regiões de
Minas. Explico: Existia no site da Arquidiocese de Diamantina uma galeria de fotos do Primeiro Clero (foi retirada as fotos do sistema de tanto que insiste com eles fazendo perguntas) onde constava a foto do Padre
Salustiano José Peregrino. No seu artigo voce fala em um Padre Salustiano, irmão do Cônego Jose Pacífico Peregrino e Silva. Esse Padre seria o Padre Salustiano José Peregrino? Voce teria outras informações sobre esse Padre que viveu nessas regiões de Minas?
Penso até em ir até essa região de Diamantina para ver se consigo fotografar a foto desse Padre na galeria de fotos que parece estar na Arquidiocese local ou pedir alguem para fotografar e remeter via e-mail.
Agradeço a atenção e aguardo sua resposta. Meu endereço é IFSERVARE@HOTMAIL.COM
Um bom dia
Ismael